10 anos sem Domingos Montagner: como o ator do circo virou um dos protagonistas mais marcantes

Hoje, 15 de setembro de 2026, completam-se exatamente dez anos da morte de Domingos Montagner. Ele morreu aos 54 anos, em 2016, durante as gravações de “Velho Chico“, quando interpretava o protagonista Santo dos Anjos. A carreira dele, porém, começou muito antes da televisão. Na verdade, a TV foi praticamente a última etapa de uma trajetória construída no circo e no teatro.
Hoje, 15 de setembro de 2026, completam-se exatamente dez anos da morte de Domingos Montagner. Ele morreu aos 54 anos, em 2016, durante as gravações de Velho Chico, quando interpretava o protagonista Santo dos Anjos. A carreira dele, porém, começou muito antes da televisão. Na verdade, a TV foi praticamente a última etapa de uma trajetória construída no circo e no teatro.
Antes da fama: professor, atleta e artista circense
Domingos Montagner nasceu em São Paulo, em 26 de fevereiro de 1962. Antes de se tornar um ator conhecido nacionalmente, ele teve uma trajetória bem diferente da imagem de galã que construiria depois.
Ele se formou em Educação Física e trabalhou como professor. Também praticou handebol, inclusive no Corinthians. Aos 27 anos, começou a se dedicar profissionalmente às artes. Sua formação passou pelo Circo Escola Picadeiro, em São Paulo, onde estudou técnicas circenses e conheceu Fernando Sampaio — que se tornaria seu principal parceiro artístico. Ele chegou a atuar como trapezista, mas foi como palhaço que encontrou sua principal linguagem.
LaMínima e Circo Zanni: os grandes projetos da carreira
Em 1997, Domingos e Fernando Sampaio fundaram a companhia LaMínima, dedicada ao humor, ao teatro físico e à linguagem do circo. A dupla desenvolveu espetáculos que misturavam palhaçaria, acrobacia, teatro e música, apresentando-se em teatros, espaços públicos e festivais. Um dos maiores reconhecimentos veio com A Noite dos Palhaços Mudos: o espetáculo rendeu a Domingos o Prêmio Shell de Melhor Ator, em 2008.
Em 2003, ele também participou da criação do Circo Zanni, ao lado de Fernando Sampaio e outros artistas. Ali, ocupou o posto de diretor artístico. Assim, quando a televisão finalmente chegou, Domingos já era um artista reconhecido no teatro e no circo — não o contrário.
A estreia tardia na televisão
Domingos não começou jovem na TV. Sua estreia aconteceu já na maturidade, no seriado Mothern, do GNT. Depois vieram trabalhos em produções como Força Tarefa e A Cura. Ele também esteve em Divã, interpretando Carlos, amante da personagem de Lilia Cabral.
O grande ponto de virada veio em 2011. Domingos foi escalado para interpretar o Capitão Herculano Araújo, o “Rei do Cangaço”, em Cordel Encantado — sua primeira novela. Herculano era um personagem extremamente físico: um cangaceiro temido, rústico e vigoroso. Por isso, o circo acabou ajudando diretamente na construção do papel. Segundo o próprio ator, ele levava para Herculano a experiência adquirida no teatro, no circo e na rua.
O resultado foi imediato. Ele recebeu o Prêmio Contigo! de TV como Ator Revelação e também o prêmio de Ator Revelação no Domingão do Faustão.
No ano seguinte, Domingos mostrou versatilidade. Ele protagonizou a minissérie O Brado Retumbante (2012), interpretando Paulo Ventura — um político que assume a Presidência depois de uma sucessão inesperada. Foi uma mudança radical: do sertão nordestino ao Palácio do Planalto.
No mesmo ano, ele também voltou às novelas em Salve Jorge, vivendo Zyah, um guia turístico brasileiro que trabalhava na Turquia e se envolvia romanticamente com a personagem de Cleo Pires. Depois, em 2013, viveu Mundo, um operário e líder trabalhista, em Joia Rara.
2015: o primeiro protagonista de novela
Em Sete Vidas, de Lícia Manzo, Domingos alcançou um novo patamar: seu primeiro papel como protagonista de novela. Ele interpretou Miguel, um oceanógrafo reservado que descobre ter sete filhos biológicos, fruto de doações de sêmen. A trama teve 106 capítulos e foi exibida entre março e julho de 2015.
O papel de Santo em “Velho Chico” e a tragédia
Quando recebeu o papel de Santo dos Anjos em Velho Chico, Domingos já era um dos principais atores da Globo. A novela, que estreou em março de 2016, tinha o rio São Francisco como um dos elementos centrais da história. Santo era um homem do sertão, ligado à terra, que vivia uma história de amor com Tereza, personagem de Camila Pitanga.
Na manhã de 15 de setembro de 2016, Domingos gravou cenas em Canindé de São Francisco (SE). Depois das gravações e do almoço, durante o intervalo, ele entrou no Rio São Francisco para tomar banho de rio com Camila Pitanga. A correnteza acabou levando o ator, que desapareceu. As buscas envolveram produção da novela, bombeiros, policiais, helicópteros e pescadores da região. O corpo foi localizado horas depois, próximo à Usina de Xingó. Ele tinha 54 anos. A morte aconteceu faltando cerca de duas semanas para o fim da novela.
A Globo decidiu não substituir o ator. Em vez disso, a produção encontrou uma solução narrativa: em determinadas cenas, a câmera assumia o ponto de vista de Santo, fazendo com que o público acompanhasse os acontecimentos pelo olhar do personagem. O último capítulo ainda prestou uma homenagem ao ator, tornando Velho Chico um dos trabalhos mais marcantes — e mais dolorosos — de sua carreira.
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