Economia

30 anos depois, por onde andam e o que fazem os “pais” do Plano Real

As ideias que deram origem ao Plano Real já eram discutidas uma década antes do lançamento da moeda. Não à toa, dezenas de profissionais participaram ativamente de sua elaboração. No entanto, seis nomes são tidos como os verdadeiros “pais” da moeda brasileira, que completa 30 anos nesta segunda-feira (1). Veja a seguir o que fazem hoje aqueles que assumiram a “paternidade” do projeto que mudou a história do país.

Esta publicação faz parte da série 30 anos do Plano Real: Passado, presente e futuro da moeda que mudou o país, especial do InfoMoney com reportagens, entrevistas, vídeos e artigos sobre a trajetória da moeda brasileira de sua criação aos dias de hoje.

Fernando Henrique Cardoso

Entre eles, está o de Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda que chefiou a equipe responsável pela criação da moeda brasileira.

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Leia mais: Fernando Henrique Cardoso: o sociólogo que virou presidente do Brasil com o Plano Real

O cientista político e sociólogo se elegeu presidente da República em primeiro turno no mesmo ano em que o plano foi lançado. Exerceu o cargo por dois mandatos consecutivos, período em que outros “pais” do Real ocuparam posições estratégicas na condução da política econômica.

(Foto: Divulgação/Gabriela Bil)

FHC completou 93 anos no último dia 18 de junho.

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André Lara Resende e Pérsio Arida

A dupla de economistas da PUC-RJ foi responsável pela elaboração de um documento publicado em 1984 e que, dez anos mais tarde, serviria como base para o plano Real. Pérsio Arida e André Lara Resende desenvolveram a ideia da moeda fictícia para eliminar os efeitos da superinflação e que deu origem à Unidade Real de Valor (URV), prevista em medida provisória de 1994, e que tinha o mesmo valor do dólar norte-americano.

Nos últimos 30 anos, ambos tiveram vasta atuação na esfera pública e privada.

André Lara Resende, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

André Lara Resende foi diretor do Banco Central, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e assessor da Presidência da República no governo de Fernando Henrique Cardoso. Em 2022, participou do grupo de economia da equipe de transição para o terceiro governo Lula.

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Nos bastidores da política, corre a informação de que uma ala do PT defende o nome de Lara Resende como sucessor de Roberto Campos Neto na presidência do BC.

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Em sua trajetória corporativa, na década de 1980, foi sócio e diretor administrativo do Banco Garantia; diretor externo da Companhia Ferro Brasileiro e das Lojas Americanas; e diretor executivo da Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas, holding do grupo Moreira Salles.

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Já no início dos anos 1990, foi diretor do Unibanco e depois sócio-diretor e um dos fundadores do Banco Matrix.

Resende foi ainda membro do conselho consultivo das Faculdades Ibmec, do conselho de administração da Gerdau e do conselho consultivo internacional do Itaú Unibanco antes de ser tornar sócio-diretor da Lanx Capital Investimentos.

Junto a outros pais do Plano Real, fundou o Instituto de Estudos em Política Econômica da Casa das Garças. Hoje, atua como conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

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Pérsio Arida, em participação na Expert XP (Divulgação)

Pérsio Arida também foi presidente do BNDES e assumiu o comando do Banco Central por seis meses no ano de 1995. E assim como o colega André Lara Resende, fez parte da equipe econômica de transição do terceiro mandato de Lula. Em 2018, compôs a equipe econômica de Geraldo Alckmin, então candidato à Presidência da República pelo PSDB.

No setor privado, entre os cargos de destaque, estão o de conselheiro da Vale, Unibanco e Itaú; diretor da SulAmérica e da Brasil Warrant; sócio-diretor da Opportunity Asset Management; e sócio-fundador e presidente do BTG Pactual.

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Arida é membro do conselho de administração do Hospital Sírio Libanês e da Fundação Osesp. Integra também os conselhos da MIT Foundation, da Blavatnik School of Government e do Fundo de Pensão do FMI. É membro do Conselho Acadêmico do Livres e Presidente do Conselho Consultivo da Sempre FEA.

Atualmente, Arida também atua como conselheiro da Vista Capital, gestora do Rio de Janeiro que tem João Landau, seu enteado, como um dos sócios-fundadores.

Edmar Bacha

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) promovem seminário de economia brasileira em homenagem ao professor Werner Baer (E agora, Werner?).

Em pronunciamento, o professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio), Edmar Lisboa Bacha.

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Antes de fazer parte da equipe econômica que formulou o Plano Real entre 1993 e 1994, Edmar Bacha presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na década de 1990. Após o lançamento da nova moeda brasileira, foi presidente do BNDES em 1995 e, no início dos anos 2000, esteve por três anos a frente da Anbid, atual Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Em paralelo, durante 14 anos, foi consultor sênior do Itaú BBA, até 2010.

Bacha venceu o Prêmio Jabuti de literatura em 2012 com Belíndia 2.0, eleito o melhor livro de economia naquele ano. Em 2016, passou a integrar a Academia Brasileira de Letras. Estudioso da inflação, o economista tem uma vasta carreira acadêmica, atuando como professor de economia na PUC-Rio e em outras universidades brasileiras e americanas.

Bacha é sócio fundador e membro do conselho diretor do Instituto de Estudos em Política Econômica da Casa das Garças, onde atua ativamente. Também é conselheiro do Cebri.

Pedro Malan

Pedro Malan (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Malan era presidente do Banco Central na época em que se juntou à equipe econômica que elaborou o Plano Real. Em seu currículo, tinha a experiência de negociador-chefe da dívida externa, no início da década de 1990. Após o lançamento da moeda, foi ministro da Fazenda durante os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na esfera privada, foi membro dos conselhos de administração e consultivos de importantes empresas, como Itaú Unibanco, Souza Cruz, British American Tobacco, Mills Estruturas e Serviços de Engenharia e Alcoa América Latina. Atualmente é membro do board da EDP, companhia do setor de energia, e do Instituto Unibanco, voltado à educação.

Leia mais: Brasileiros penalizariam nas urnas governante leniente com a inflação, diz Malan

Na vida acadêmica, foi professor de economia da PUC e professor visitante do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambrigde, na Inglaterra. Fundou ainda o Instituto de Economistas do Rio de Janeiro. Além de membro do comitê estratégico do Cebri, Malan é associado do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças e do Centro de Debates de Políticas Públicas (CDPP), em São Paulo.

Gustavo Franco

Gustavo Franco participa do Stock Pickers. Crédito: Stock Pickers

Após a implementação do Plano Real, Gustavo Franco foi nomeado presidente do Banco Central em 1997, durante o segundo mandato do governo FHC. Deixou o cargo dois anos depois, dando lugar para Armínio Fraga. Em 2000, fundou a Rio Bravo Investimentos, gestora que hoje pertence à gigante chinesa Fosun. Atualmente, Gustavo atua na Rio Bravo como conselheiro.

A partir de sua experiência acadêmica e como integrante do governo, escreveu os livros “O Plano Real e Outros Ensaios”, “O Desafio Brasileiro: ensaios sobre desenvolvimento, globalização e moeda”, e “A Moeda e a Lei: uma história monetária brasileira”.

Gustavo é conselheiro do Banco Daycoval e da administradora de shopping centers Multiplan, além do Instituto Millenium. Também passou pelo board de outras diversas empresas, como B3 (quando ainda era BM&F Bovespa), Via, Nubank e Pottencial Seguradora.

Esta publicação faz parte da série 30 anos do Plano Real: Passado, presente e futuro da moeda que mudou o país, especial do InfoMoney com reportagens, entrevistas, vídeos e artigos sobre a trajetória da moeda brasileira de sua criação aos dias de hoje.

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