Meta adia API do Muse Spark – e isso trava a monetização da IA

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A Meta adiou sucessivas vezes o lançamento da API do seu novo modelo de inteligência artificial (IA), o Muse Spark. De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo Wall Street Journal, desenvolvedores externos continuam sem saber quando poderão acessar a ferramenta.
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O atraso ocorre quase dois meses após promessas da liderança da empresa. E levanta sérios questionamentos no mercado sobre a velocidade com que a big tech conseguirá monetizar seus investimentos bilionários em modelos de IA.
De acordo com fontes ouvidas pelo WSJ, o plano inicial era liberar a API (ferramenta que permite a integração da tecnologia da Meta em aplicativos para computadores e celulares) junto ao lançamento do Muse Spark, ocorrido em abril.
Dois dias após a estreia do modelo, o chefe de IA da empresa, Alexandr Wang (ex-CEO e cocriador da Scale AI), declarou em postagem no X/Twitter que o recurso chegaria “em breve” devido ao forte interesse dos desenvolvedores.
the muse spark API will be coming soon!
we have been thrilled with the amount of excitement amongst developers who want to try muse spark inside their agentic harnesses
stay tuned!
— Alexandr Wang (@alexandr_wang) April 10, 2026
No entanto, o cronograma falhou sucessivamente devido a bugs detectados em testes e à necessidade de expandir a infraestrutura. O primeiro adiamento mudou a previsão de abril para maio. E o segundo empurrou o prazo para junho.
Essa lentidão na entrega coloca pressão sobre as finanças da companhia, que projeta gastar até US$ 145 bilhões (R$ 734 bilhões) em 2026 na construção da sua infraestrutura voltada para IA.

Em abril, o anúncio desse nível de despesas agressivo assustou Wall Street, o que provocou uma queda superior a 5% nas ações da Meta no mercado pós-fechamento. Isso reflete a cobrança dos investidores por retornos práticos.
Diferente das tecnologias anteriores da Meta, que eram de código aberto, o Muse Spark é o seu primeiro modelo de código fechado, o que exige obrigatoriamente o fornecimento de uma API para que terceiros usem o sistema.
Essa estratégia visa competir diretamente com OpenAI e Anthropic, que lucram vendendo esse tipo de acesso comercial. Para diversificar a receita, a Meta anunciou novas assinaturas para Instagram, WhatsApp e Facebook, além de testes de planos pagos para o chatbot Meta AI.
Paralelamente, o CEO da big tech, Mark Zuckerberg, afirmou a acionistas que a criação de um negócio de computação em nuvem está nos planos da companhia.
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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