O cálculo de Lula e o risco de Flávio após a nova ofensiva de Trump

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As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros transformaram-se em um dos principais temas da corrida ao Palácio do Planalto e passaram a alimentar um embate direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. O assunto dominou o debate do programa Os Três Poderes, que reuniu o colunista Robson Bonin, a editora Laryssa Borges e o editor Diogo Schelp, sob apresentação de Ricardo Ferraz (este texto é um resumo do vídeo acima).
O pacote anunciado pelo governo de Donald Trump prevê sobretaxas que chegam a 25% sobre determinados produtos brasileiros. Entre as justificativas apresentadas pelos americanos estão questões ligadas ao sistema de pagamentos Pix, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, desmatamento ilegal, propriedade intelectual, barreiras comerciais e combate à corrupção.
Segundo Schelp, algumas das alegações apresentadas por Washington dialogam com problemas históricos do país, mas outras têm forte componente político. “A grande questão é diferenciar o objetivo político de Trump: se ele quer favorecer Flávio Bolsonaro nas eleições, se está defendendo interesses específicos ou se é uma jogada geopolítica”, afirmou.
Como Lula tenta transformar o tarifaço em desgaste para Flávio Bolsonaro?
A estratégia do Palácio do Planalto tem sido direcionar as críticas ao senador e ao entorno bolsonarista, evitando um confronto direto com o presidente americano. Durante evento público, Lula acusou adversários de estimularem medidas que prejudicam o Brasil e classificou a atitude como uma forma de “traição à pátria”.
No programa, Robson Bonin afirmou que o governo decidiu concentrar a pressão política sobre Flávio Bolsonaro. “A estratégia do presidente Lula é focar as críticas no Flávio, transformando essa novela em responsabilidade dos filhos do ex-presidente que tentam prejudicar o governo sem medir o dano ao país”, disse.
Segundo Bonin, enquanto Lula mantém o discurso público de defesa dos interesses nacionais, o Itamaraty trabalha nos bastidores para preservar os canais diplomáticos com Washington. O comentarista destacou que houve contatos recentes entre representantes dos dois governos com promessas de continuidade do diálogo.
A aproximação com Trump virou um problema para o senador?
A crise ganhou novos contornos após a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. O senador buscava reforçar sua imagem internacional e estreitar laços com a Casa Branca, mas a coincidência entre a visita e o anúncio das tarifas abriu espaço para críticas da oposição.
Bonin afirmou que o senador tentava escapar do desgaste provocado por outras crises recentes, mas acabou mergulhando em uma controvérsia ainda maior. “Flávio correu para lá para tentar fugir da maré ruim de escândalos como o do Banco Master e da produtora do filme sobre Bolsonaro. Acabou caindo num buraco maior”, afirmou.
O discurso da soberania pode favorecer Lula?
De acordo com Laryssa, pesquisas internas do governo indicam que temas relacionados à soberania nacional despertam forte sensibilidade no eleitorado. Por isso, Lula passou a enquadrar o episódio como uma agressão externa aos interesses brasileiros.
“O presidente Lula, com sua tarimba, se apresentou para um nicho que não é o dele: o empresariado”, observou a jornalista. Segundo ela, ao assumir a defesa dos setores econômicos afetados pelas tarifas, o presidente busca ampliar sua interlocução com segmentos tradicionalmente mais distantes do PT.
Ainda assim, os analistas destacaram que tanto Lula quanto Flávio dependem de fatores que escapam ao controle da política brasileira. Os Estados Unidos seguem guiados por seus próprios interesses econômicos e estratégicos, e especialistas apontam que a nova rodada de tarifas possui base legal mais sólida do que medidas anteriores, o que dificulta uma eventual reversão.
O que a crise revela sobre a campanha de 2026?
Para os participantes do programa, o episódio antecipa um dos eixos centrais da disputa presidencial: a associação entre política externa e política doméstica. O governo aposta em apresentar Lula como defensor dos interesses nacionais diante das pressões americanas, enquanto o campo bolsonarista tenta evitar que a proximidade com Trump seja convertida em passivo eleitoral.
Na avaliação de Bonin, o presidente encontrou uma oportunidade política inesperada. “Para o Lula, isso foi um presente de marketing, permitindo retomar o discurso de defesa dos interesses brasileiros”, afirmou.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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