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Com investimentos anuais via Pronaf, produtora de leite amplia rebanho no Paraná



Foi com um financiamento de R$ 6 mil pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no início dos anos 2000, que a produtora de leite Maria Matilde Machado comprou as primeiras vacas. Hoje, a propriedade localizada em Cascavel, no oeste do Paraná, conta com mais de 60 vacas em lactação e produção média de 1,6 mil litros de leite por dia.
“Comecei pelo Pronafinho, que possibilitou a compra de seis animais. Desde então, não fiquei um ano sem recorrer ao crédito rural a fim de investir na atividade”, comenta.
Os recursos obtidos por meio dessa modalidade de crédito foram usados para implantação e custeio da lavoura do milho silagem, que serve de alimentação para o rebanho, até a instalação do sistema compost barn e da ordenha mecânica. Matilde explica que contou com orientação e assistência técnica de extensionistas do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), assim como de entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), via Sindicato Rural de Cascavel.
“Fui acessando o programa de financiamento com foco na qualidade e no aumento da produtividade, aliados a questões como melhorias para o manejo, bem-estar animal, segurança contra as intempéries e até para melhor qualidade de vida para mim e minha família”, considera. Hoje, o sistema possibilita três ordenhas diárias, com algumas vacas chegando a produzir 55 litros de leite por dia – volume considerado de alta produtividade.
Segundo ela, o acesso ao crédito foi fundamental para acompanhar o aumento da escala e garantir novos ciclos de modernização. O investimento mais recente foi por meio da linha Pronaf Mulher, destinada a projetos e infraestrutura para agricultoras familiares.
Matilde conta que financiou a instalação de placas solares para geração de energia na fazenda, no valor de R$ 150 mil e com juro zero. A iniciativa se tornou possível pelo Banco do Agricultor Paranaense, programa do governo do Paraná em parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
A produtora tem intenção de ampliar a produção, mas agora esbarra no limitante estrutural da propriedade. Ainda assim, está disposta a estudar projetos para continuar a crescer e prevê: “Fui crescendo aos poucos, investindo em estrutura, barracão, produtividade e tecnologia. Acredito que nos próximos anos vou sair do Pronaf, por conta do faturamento, e passar a utilizar o Pronamp [Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural]”.
Estratégico
Para Carmem Truite, gerente operacional de convênios e produtores rurais do BRDE, o crédito rural tampouco substitui a gestão da propriedade, mas ele permite que decisões estratégicas saiam do papel. “O crédito é um complemento do planejamento. É ele quem viabiliza decisões, seja para ampliar a produção, diversificar a atividade ou investir em mais tecnologia e resiliência hídrica”, afirma.
Ela comenta que o Pronaf costuma ser a porta de entrada de muitos produtores no crédito rural, por ter juros mais acessíveis e atender agricultores que ainda estão em fase de estruturação. A gerente destaca ainda que a passagem para linhas voltadas a operações maiores deve ser entendida como sinal de amadurecimento da atividade. Embora a diferença média de juros possa girar em torno de dois pontos percentuais ao ano, produtores com maior porte passam a demandar investimentos mais elevados para seguir crescendo.
Para Carmem, o gargalo na hora de buscar financiamento rural é a falta de assistência técnica e extensão rural. “O produtor precisa ser mais efetivo, ter a atividade no campo mais rentável para poder investir e comportar o pagamento do crédito. Precisa trabalhar a propriedade rural como uma empresa, com planejamento e gestão profissionalizada”, considera.
Maria Matilde entende a importância da gestão e contratou uma consultoria focada na eficiência gerencial da atividade, o que abrange controle de custos, manejo produtivo e adequação ambiental: “Está fazendo a diferença para aspectos que contribuem para aumentar a média de produtividade por animal e para as finanças do negócio, o que envolve desde como comprar alimentação mais em conta a manejo para atingir um ciclo reprodutivo saudável e rentável”.
Linhas de crédito
O Pronaf e o Pronamp estão entre as principais modalidades de crédito rural do Plano Safra. O Pronaf é destinado à agricultura familiar e costuma atender produtores em fase inicial ou de estruturação. Já o Pronamp é voltado a produtores de médio porte, com operações mais robustas para expansão, modernização, aquisição de máquinas, implantação de tecnologias e melhorias estruturais.
No último ano, o BRDE contratou R$ 367,360 milhões em financiamentos via Pronaf e R$ 44,483 milhões via Pronamp, somando R$ 411,844 milhões nas duas linhas. Segundo Carmem, o acesso às linhas pode ocorrer diretamente junto ao BRDE ou por meio de cooperativas e instituições financeiras conveniadas. Operações de menor valor, como as do Pronaf, costumam ser realizadas pelas instituições parceiras credenciadas.
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Globo Rural

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