Justiça proíbe entrada de alimentos e bebidas nos estádios do México na Copa

A Justiça do México concedeu nesta terça-feira (9) uma decisão favorável à Fifa e ao estádio Azteca ao suspender as medidas cautelares que permitiam aos donos de camarotes e cadeiras cativas ingressar com veículos, alimentos e bebidas no local durante a realização da Copa do Mundo.
A Associação Mexicana de Donos de Camarotes e Cadeiras Cativas havia conseguido duas medidas cautelares para os seus membros terem direito aos benefícios, que são proibidos para os outros torcedores.
No entanto, o 1º Juizado de Distrito da Cidade do México suspendeu as decisões anteriores dos 6º e 7º Juizados de Distrito.
Na decisão, o juiz Oswaldo Alejandro López Arellanos afirmou que manter vigentes tais medidas poderia afetar o interesse público ao interferir na organização, preparação e desenvolvimento da Copa.
Além disso, poderia afetar a aplicação uniforme das regras estabelecidas para os 16 estádios que serão utilizados.
O magistrado destacou ainda que a Fifa é a responsável pela organização da competição e que tanto o estádio quanto as partes envolvidas estão obrigados a cumprir os regulamentos, diretrizes e disposições emitidas pelo organismo internacional.
O advogado da associação, Roberto Ruano, disse aos órgãos de imprensa do país que tentaria uma liminar para revogar a decisão do juiz, para que os donos de camarotes e cadeiras cativas possam acessar o estádio já no duelo de abertura da Copa, nesta quinta (11), às 16h (de Brasília), quando a seleção mexicana enfrenta a África do Sul.
O magistrado, entretanto, determinou que a decisão final será tomada em uma audiência apenas na próxima segunda-feira (15), quatro dias após a partida.
A briga da associação já vem de longa data. Além do acesso ao estacionamento e a entrada com comidas e bebidas, os donos de camarotes e cadeiras cativas tentam garantir, primeiramente, o direito de usar os seus assentos durante a Copa.
Pelas regras da Fifa, todos os lugares dos estádios que receberão jogos do Mundial pertencem a ela, o que é contestado pelo grupo.
A principal crítica é que, segundo o advogado da associação, nas Copas de 1970 e 1986, também no México, os donos de camarotes e cadeiras cativas tiveram credenciamento e entradas com muita antecedência, o que não ocorreu desta vez.
Por isso, o grupo já conseguiu medidas cautelares que garantem o acesso dos donos aos seus camarotes durante a Copa; a possibilidade de alugar, vender ou transferir os lugares conforme seus contratos; o ingresso com os títulos de propriedade caso não tenham ingressos físicos; e o direito ao estacionamento para quem o tiver estabelecido em seus contratos.
Nesta terça, alguns dos proprietários foram até o Azteca para cumprir as medidas cautelares e entrar em seus lugares determinados, mas foram impedidos por um funcionário da Ollamani SAB, do Grupo Televisa, que administra o estádio. Ele apresentou a decisão do juiz para impedir a entrada.
Esporte / Folha de São Paulo



