Eleições 2026: TSE se mete em confusão com censura pedida por Flávio Bolsonaro

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O Tribunal Superior Eleitoral adiou a decisão sobre a proibição de uma pesquisa cujo resultado desagradou ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à presidência da República.
A sondagem de maio da AtlasIntel, em parceria com a agência de notícias Bloomberg, mostrou que uma fatia do eleitorado se tornou refratária ao candidato Bolsonaro por causa do seu envolvimento em negócios obscuros com o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso e negocia delação premiada sobre fraudes financeiras bilionárias.
O candidato e seu partido pediram a interdição da pesquisa. O juiz Kassio Nunes Marques aceitou a alegação de que não teria sido feita com “perguntas neutras”. E escolheu a censura no ato de estreia na presidência do tribunal eleitoral.
Nesta terça-feira (9/6), ao relatar a decisão quis a solidariedade dos demais juízes do TSE. A votação no plenário foi interrompida por manobra regimental.
É uma forma do tribunal ganhar tempo para evitar a exposição pública de divergências. Principalmente, em torno de uma questão resolvida há 38 anos na Constituição: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição” — diz o artigo 220 que, na sequência, esclarece: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”
A Justiça Eleitoral se meteu numa confusão desnecessária quando o juiz Nunes Marques resolveu apoiar a interdição de uma pesquisa reivindicada pelo candidato Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal.
Avalizar a censura significa, na prática, dar ao TSE o poder de decidir a forma, o conteúdo e até a ordem das perguntas no questionário aos eleitores antes, durante e depois de qualquer disputa eleitoral. O problema dos juízes é que tem uma Constituição no caminho.
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