Lula x Flávio: pesquisa mostra mudança em grupo decisivo para eleição de 2026

A principal mudança identificada pela mais recente pesquisa da Quaest não ocorreu entre lulistas ou bolsonaristas, mas dentro do grupo dos chamados eleitores independentes. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o CEO da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que a movimentação desse segmento ajuda a explicar a melhora do desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos levantamentos mais recentes.
Segundo o pesquisador, os independentes representam cerca de 30% do eleitorado brasileiro e formam o maior grupo político do país. Por não terem uma identificação ideológica forte, tendem a reagir mais rapidamente às mudanças da conjuntura econômica e política.
“Esse é o eleitor que vai definir a eleição”, afirmou Nunes.
Como a Quaest divide o eleitorado brasileiro?
De acordo com o CEO da Quaest, a empresa trabalha com uma classificação que divide os brasileiros em cinco grandes grupos políticos: lulistas, esquerda não lulista, independentes, direita não bolsonarista e bolsonaristas.
Segundo os números apresentados por Nunes, os independentes representam aproximadamente 30% do eleitorado. Os lulistas aparecem com cerca de 22%, mesmo percentual atribuído à direita não bolsonarista. Já os bolsonaristas e a esquerda não lulista somariam cerca de 13% cada.
A classificação é construída a partir da forma como os próprios entrevistados se identificam politicamente.
Por que os independentes mudam mais de posição?
Ao contrário dos eleitores mais alinhados ao lulismo ou ao bolsonarismo, os independentes não costumam manter vínculos permanentes com lideranças ou correntes ideológicas específicas. Segundo Nunes, trata-se de um eleitorado mais pragmático e menos motivado por identidades políticas.
“O eleitor independente é um eleitor volátil, é um eleitor indeciso. Ele é um eleitor pragmático, não ideológico”, disse.
Por essa razão, acontecimentos do noticiário e mudanças na economia tendem a produzir efeitos mais rápidos sobre esse grupo do que sobre os eleitores mais identificados com um dos polos da polarização política.
Por que os independentes voltaram a favorecer Lula?
Segundo a análise apresentada por Nunes, os independentes passaram por mudanças significativas nos últimos meses. O pesquisador afirmou que o grupo demonstrava maior proximidade com Lula no fim do ano passado, migrou para uma posição mais favorável a Flávio Bolsonaro em abril e voltou a melhorar sua percepção sobre o presidente nas semanas recentes.
Para ele, o movimento foi influenciado por dois conjuntos de fatores. De um lado, episódios que desgastaram a imagem de Flávio Bolsonaro, entre eles a repercussão de sua aproximação com Daniel Vorcaro e sua atuação junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De outro, medidas econômicas do governo que passaram a produzir efeitos mais perceptíveis entre os eleitores.
Nunes destacou especialmente os programas de renegociação de dívidas e os efeitos da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
O que diferencia os independentes dos eleitores mais fiéis?
Durante a entrevista, o CEO da Quaest argumentou que as maiores oscilações eleitorais raramente acontecem entre os grupos mais identificados com Lula ou Bolsonaro. Segundo ele, esses eleitores costumam demonstrar comportamentos semelhantes aos de torcedores de futebol, mantendo fidelidade mesmo diante de fatos negativos envolvendo seus candidatos.
Já os independentes tendem a avaliar resultados concretos da economia e acontecimentos recentes antes de tomar decisões políticas. Por isso, são considerados o segmento mais disputado pelas campanhas.
Na avaliação de Nunes, compreender o comportamento desse grupo é fundamental para interpretar as mudanças observadas nas pesquisas e para projetar os próximos movimentos da corrida eleitoral.
Os independentes serão decisivos em 2026?
Embora tenha apontado uma melhora do cenário para Lula, Nunes evitou fazer previsões definitivas sobre o resultado da eleição. Segundo ele, ainda há tempo para novas mudanças de humor dentro do eleitorado.
O pesquisador destacou justamente a volatilidade dos independentes como um dos principais motivos para a cautela. Como se trata do segmento mais suscetível às mudanças de conjuntura, seu comportamento pode alterar significativamente o quadro eleitoral nos próximos meses.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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