Não é só futebol: países-sede da Copa do Mundo se destacam no agronegócio


A partir desta quinta-feira (11/6), os olhos do mundo estão voltados para Estados Unidos, Canadá e México, os anfitriões da Copa do Mundo de 2026. Mas, enquanto as atenções se concentram nos jogos entre as 48 seleções participantes, a Globo Rural mostra que não é apenas o futebol que chama a atenção nos países-sede.
Os três países da América do Norte também guardam curiosidades ligadas ao agronegócio desconhecidas por muitos torcedores. Dos concursos de abóboras gigantes nos EUA ao tradicional xarope de bordo canadense, passando pelas origens do milho no México, o campo tem espaço nos anfitriões do Mundial. Confira abaixo:
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1 – EUA e café: muito consumo, nenhuma produção
Os Estados Unidos precisam importar 99% do café consumido
Wenderson Araújo/CNA
Assim como os brasileiros, os norte-americanos são apaixonados por café. O que muita gente não sabe é que os Estados Unidos precisam importar 99% do grão consumido. A dependência é resultado de uma combinação de três fatores que limitam a produção local: clima, geografia e altos custos de cultivo.
Nesse contexto, o Brasil ocupa posição estratégica como o principal fornecedor. Em 2025, o país da América do Norte respondeu por 13% das compras externas do produto brasileiro, atrás apenas da União Europeia, bloco responsável por 46% do total comercializado no mesmo período.
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2 – Paixão pela carne brasileira
Nos EUA, carne brasileira é usada para hambúrgueres
Canva/ Creative Commons
Estados Unidos, México e Canadá compartilham outra paixão além do futebol com o Brasil: a carne bovina. Os três países são compradores da proteína brasileira e ajudam a impulsionar as exportações do setor.
De acordo com o Agrostat, sistema de estatísticas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os anfitriões da Copa movimentaram mais de US$ 3,3 bilhões em importações da carne brasileira em 2025.
No caso dos Estados Unidos, os beef trimmings, pedaços remanescentes do desossamento, estão entre os principais produtos adquiridos. O ingrediente é utilizado, principalmente, em hambúrgueres e na carne moída.
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3 – Hortaliças gigantes
Campeonato de abóboras gigantes
Divulgação/World Championship Pumpkin Weigh-Off
Uma das tradições agrícolas mais curiosas dos Estados Unidos está relacionada às competições de vegetais gigantes, como a Safeway World Championship Pumpkin Weigh-Off, realizada anualmente na Califórnia.
Na edição que marcou os 50 anos do evento, em 2023, o professor de horticultura Travis Gienger apresentou uma abóbora de 1.246 quilos. O exemplar entrou para o Guinness World Records como o mais pesado do mundo. Meses depois, porém, o recorde foi superado pelos irmãos Ian e Stuart Paton, do Reino Unido, que cultivaram uma hortaliça de 1.278 quilos.
4 – Ouro líquido do Canadá
Por ser adoçante natural, o maple syrup é consumido tradicionalmente com panquecas e waffles
Canva/Creative Commons
Quando a seleção canadense entrar em campo na Copa do Mundo, o agronegócio estará representado no uniforme. Isso porque o escudo da equipe exibe a tradicional folha de bordo, símbolo nacional do país.
A árvore de bordo é conhecida pela produção do maple syrup, o famoso xarope de bordo. Segundo o governo, o Canadá é o maior produtor e exportador mundial dos produtos derivados da planta. Embora a atividade esteja presente em diversas províncias, a maior parte se concentra em Quebec.
A importância do xarope é tão grande que ele já foi alvo de criminosos. Entre 2011 e 2012, milhares de barris foram furtados de um armazém da reserva estratégica de Quebec. Para evitar suspeitas, os recipientes eram substituídos por barris vazios ou preenchidos com água, totalizando um prejuízo de US$ 18 milhões.
Por ser adoçante natural, o maple syrup é consumido tradicionalmente com panquecas e waffles, mas também aparece em sobremesas, bebidas e até em receitas salgadas com carne como ingrediente principal.
5 – O berço do milho
O México preserva uma enorme diversidade genética do milho
Canva/Creative Commons
Muito antes de se tornar um dos grãos mais cultivados do planeta, o milho surgiu no território que hoje corresponde ao México. Estudos indicam que povos indígenas começaram a domesticar a planta há cerca de 9 mil anos, transformando uma gramínea silvestre em um dos alimentos mais importantes da história da humanidade.
Até hoje, o país preserva uma enorme diversidade genética da cultura. Nas lavouras mexicanas é possível encontrar centenas de variedades, com espigas de diferentes tamanhos e cores, incluindo grãos azuis, vermelhos, roxos, pretos e rajados. De acordo com o portal oficial da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, a produção nacional ultrapassa 27,5 milhões de toneladas.
E, além da relevância agrícola, o milho ocupa papel central na gastronomia mexicana, sendo a base de alimentos tradicionais, como tortillas, tamales e tacos.
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6 – A planta que dá origem à tequila
Plantação de agave no México
Canva/Creative Commons
As paisagens agrícolas do México guardam um dos cenários mais característicos do país: extensos campos de agave-azul, planta utilizada na produção da tequila. Vista do alto, a cultura forma grandes áreas azuladas que se espalham, principalmente, pelo Estado de Jalisco. Segundo informações da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, o país concentra 75% das espécies de agave existentes no mundo.
A tequila, assim como o agave, é considerada um símbolo nacional e possui denominação de origem. Isso significa que só pode ser produzida em regiões autorizadas e seguindo regras específicas de cultivo e fabricação.
Além da bebida famosa, o agave dá origem a outros produtos tradicionais, como o mezcal, e também é utilizado na produção de fibras, alimentos e adoçantes. Não à toa, é chamada pelos mexicanos de “planta das maravilhas”.
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7 – Vulcões que ajudam a agricultura
Vulcão Popocatépetl
Canva/ Creative Commoms
O México abriga dezenas de vulcões e alguns deles estão próximos de importantes regiões agrícolas. Embora possam representar riscos em situações de atividade intensa, essas formações também ajudam a impulsionar a produção no campo.
Ao longo de milhares de anos, as cinzas vulcânicas enriqueceram os solos com nutrientes e minerais que favoreceram o desenvolvimento das plantas. As áreas agrícolas próximas aos vulcões Popocatépetl, Iztaccíhuatl e Nevado de Toluca, por exemplo, são conhecidas pela fertilidade da terra.
Frutas, hortaliças, milho, café e outras culturas se beneficiam dessas condições, mostrando que os vulcões não são apenas parte da paisagem mexicana, mas aliados do agro.
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