CENTRO DE EXCELÊNCIA APOSTA NO FUTURO DA BIOENERGIA

O futuro da cana-de-açúcar no Brasil depende cada vez menos de expansão territorial e mais de conhecimento, tecnologia e qualificação profissional. Em meio à transformação do setor sucroenergético, Ribeirão Preto se prepara para receber o Centro de Excelência da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) em parceria com o Senar Nacional voltada à formação técnica e à difusão de inovação no campo. A inauguração está prevista para o segun- do semestre de 2026.
“O futuro da energia limpa passa pelo campo, pela inovação e pela qualificação das pessoas. Esse projeto representa um passo decisivo para transformar conhecimento em produtividade, sustentabilidade e novas oportunidades para toda a cadeia sucroenergética brasileira”, destaca Tirso Meirelles, presidente da Faesp/Senar.
O novo centro reunirá cursos técnicos, ensino superior e programas de capacitação voltados a uma cadeia que hoje exige profissionais preparados para atuar em áreas como gestão, sustentabilidade, processos industriais e ferramentas digitais. A proposta é aproximar ensino e produção, ampliando a aplicação prática do conhecimento no campo e fortalecendo uma das cadeias mais estratégicas do agronegócio brasileiro.
Com investimentos anuais de cerca de R$ 3 milhões em capacitação, pesquisa e inovação, o projeto busca consolidar um ambiente permanente de formação e desenvolvimento profissional para o setor sucroenergético.
O empreendimento surge em um momento em que o setor sucroenergético deixa de ser analisado apenas pelo volume produzido e passa a ser avaliado pela capacidade de inovar, reduzir emissões e responder às demandas de uma economia cada vez mais orientada pela descarbonização.
Segundo Meirelles, o avanço tecnológico no agro sempre es- teve associado à capacidade de absorver conhecimento e transformá-lo em ganho produtivo. Ele destaca que o desenvolvimento de variedades de alta produtividade e a incorporação de técnicas inovadoras foram determinantes para o salto do setor nas últimas décadas, que saiu de 36 milhões para 350 milhões de toneladas de produção agrícola em um espaço de 50 anos.
A qualificação da mão de obra ganha peso estratégico. A avaliação do setor é que a expansão da bioenergia e da agricultura de precisão exigirá profissionais cada vez mais preparados para operar sistemas complexos e integrar novas soluções tecnológicas à produção.
O projeto em Ribeirão Preto faz parte de uma estratégia mais ampla da Faesp para ampliar a presença de centros de inovação no interior paulista. A entidade também prevê a inauguração de uma unidade em São Roque voltada a áreas como big data, inteligência artificial e bioinsumos.
Essa expansão dialoga com uma agenda que vai além da produção agrícola tradicional. A diversificação de atividades no campo, com a incorporação de iniciativas como o turismo rural, surge como alternativa para agregar valor, gerar renda e fortalecer a permanência de famílias no meio rural.
“A nova fronteira do agro não passa apenas pela produção, mas pela capacidade de transformar conhecimento em eficiência e competitividade”, afirma Meirelles.
Globo Rural


