Preço do boi gordo encerra a semana estável em meio a expectativas com a Copa do Mundo


O mercado pecuário apresentou acomodação em seus preços nesta sexta-feira (12/6), com tendência de estabilidade em quase todo o Brasil. No entanto, as indústrias aguardam o resultado das vendas de carne bovina no primeiro fim de semana com jogo do Brasil na Copa do Mundo para planejar suas estratégias.
Das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 29 não tiveram alterações nos preços do boi gordo na comparação diári nesta sexta-feira. Houve altas em Três Lagoas (MS) e sul da Bahia, enquanto no sul de Minas Gerais e no sudeste de Rondônia as cotações caíram.
Nas praças de referência de Barretos (SP) e Araçatuba (SP), o preço do boi gordo seguiu em R$ 350 a arroba para o pagamento a prazo. Já as cotações das fêmeas subiram. A vaca aumentou R$ 2, para R$ 322 a arroba, enquanto a novilha avançou R$ 3, para R$ 335 a arroba. O preço do “boi China” não houve mudanças.
O indicador Cepea/Esalq do boi gordo registrou nesta sexta-feira a cotação de R$ 353,40 a arroba. Desde o início de junho, a alta acumulada é de 1,06%.
Segundo a Scot, o mercado foi fundamentado por vendedores negociando lotes de maneira compassada e por uma demanda firme, mas sem exageros. Do lado da ponta compradora, houve distinção entre as estratégias. Alguns frigoríficos sentiram necessidade de alongar as escalas de abate, outros preferiram maneirar o abastecimento, comprando, mas sem exagerar no volume.
Essa prudência esteve relacionada ao consumo, já que o varejo ainda absorvia as mercadorias adquiridas recentemente e a proximidade da segunda quinzena do mês costuma trazer um ritmo mais lento para o consumo de carne bovina.
Muito se esperou do final de semana, destaca a Scot. O primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo trouxe a expectativa de bom desempenho nas vendas de carne. Contudo, se elas ficassem abaixo do esperado, isso poderia acabar limitando pedidos para recompor estoques e ditando o comportamento do mercado na semana seguinte, com um arrefecimento da demanda.
Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, destaca que os frigoríficos seguem realizando movimentos em torno da redução das premiações envolvendo animais padrão China, somados a aumentos da ociosidade média. A intenção é se adequar a uma realidade em que o grande importador de carne bovina do Brasil estará menos presente e participativo no mercado.
“Muitas indústrias estão ausentes da compra de gado neste momento. Ainda não há alertas por parte das autoridades chinesas em relação ao preenchimento de 80% da cota brasileira, o que deve acontecer nos próximos dias” destaca Iglesias.
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