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Argentinos acompanham abertura da Copa com esperança de repetir triunfo de 2022

A Argentina nem ia jogar, mas centenas de pessoas se reuniram na quinta-feira (11) para ver a abertura da Copa do Mundo na Plaza Seeber, em Buenos Aires. A animação com o torneio lembra a do Brasil, assim como a esperança de levar a taça.

A Folha acompanhou em Buenos Aires a cerimônia que ocorreu no estádio Azteca, no México, uma das três sedes da Copa deste ano. Os outros dois, Estados Unidos e Canadá, também tiveram suas próprias aberturas depois.

Neste torneio, os hermanos podem sentir mais confiança ou mais pressão, a depender da perspectiva —a Argentina é a atual campeã após derrotar a França nos pênaltis em 2022. Os torcedores que estavam na “fan fest” da capital, na praça localizada no bairro de Palermo, pareciam fazer parte do primeiro grupo.

“Queremos ser campeões novamente. Nós, argentinos, somos assim, nunca estamos satisfeitos”, afirma Gonzalo Rubio, professor que acompanhava dezenas de crianças para assistir à cerimônia de abertura. Elas vestiam acessórios nas cores da bandeira, azul e branco. “Estamos sempre esperando vencer, como o Brasil também está.”

O estudante Franco Luraschi é mais cauteloso. “Acho que nos acostumamos bastante com o fato de que, nos anos seguintes a uma conquista da Copa do Mundo, as partidas são mais fáceis. Mas agora, ao entrar no torneio, você sempre começa do zero”, afirmou, enquanto tomava mate no gramado da praça.

“Muitos dos titulares se lesionaram recentemente, então não chegamos 100%”, continuou, em referência às lesões de jogadores como o volante Leandro Paredes, o atacante Julián Álvarez e até mesmo o craque Leonel Messi, que teve uma sobrecarga na coxa esquerda em maio, mas já conseguiu entrar em campo e até marcar um gol no amistoso contra a Islândia.

A Argentina joga sua primeira partida na noite da próxima terça-feira (16), contra a Argélia, em Kansas City.

Para Florencia Tolosa, 36, a principal questão é o número de equipes —48 seleções vão jogar este ano, ante 32 nas últimas edições. “Agora há mais jogos, mais países competindo, não é igual à Copa anterior. Mas também acho que isso é um desafio para todas as seleções”, afirmou.

Já a equipe de seu país parece confiante para ela, assim como os argentinos em geral. Mas Florencia não sabe se se a empolgação dos conterrâneos vai permanecer diante do frio da capital. A capital argentina entrou neste domingo (14) com previsão de temperatura mínima de 3°C e máxima de 11°C.

“Eu me lembro que, na última Copa do Mundo, era verão, e quando a Argentina ganhava nós íamos para as ruas comemorar. Agora você pode pensar: ‘Com esse frio… ‘, comentou ela, em referência à data do último torneio, celebrado no final do ano para poupar os jogadores das temperaturas extremas do país-sede, o Qatar. “Mas, por outro lado, os torcedores estão sempre animados para tudo.”

Para a professora universitária Margarida Leañez, esta Copa é também a chance de reviver o torneio que considera mais marcante: o que Maradona venceu, em 1986, também no México. “Ele foi único. Mas agora temos Messi”, afirmou sobre o craque de 38 anos.

“Há muita expectativa em cima da equipe, mas não perdemos a esperança. A gente ama futebol“, disse. “Se a Argentina ganha de novo, não sei o que acontece neste país. Vai explodir, acho”, completou sua amiga, a também professora universitária Elsa Seliman, que assistia à cerimônia de abertura ao seu lado.


Esporte / Folha de São Paulo

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