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O milho de segunda safra como ativo ambiental: a revolução do modelo brasileiro



O Brasil consolida sua posição não apenas como uma potência produtiva, mas como o berço de uma nova inteligência industrial: a agroindústria de baixo carbono. No coração dessa transformação está a colheita do milho de segunda safra, que se tornou um dos ativos ambientais mais estratégicos do planeta e a matéria-prima de uma revolução industrial sem precedentes.
Diferente do modelo europeu, que muitas vezes alimenta o debate sobre a competição entre “alimento versus combustível”, o sistema brasileiro de múltiplas safras (multicropping) oferece uma solução integrada de segurança alimentar e energética.
No Brasil, o milho é processado em biorrefinarias de alta tecnologia que personificam a neoindustrialização verde: em um único hectare, entregamos proteína vegetal para o mundo, energia limpa para o tanque e nutrição de alta performance para o campo.

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O grande diferencial competitivo da nossa agroindústria é o efeito poupa-terra (land saving). Nas unidades industriais, o processamento do milho é verticalizado para extrair o máximo valor biológico. Extraímos o etanol, que reduz entre 80% e 90% as emissões de gases de efeito estufa, e transformamos o que resta do grão em DDGS (grãos de destilaria secos com solúveis).
Este coproduto é um potencializador da pecuária: ao oferecer uma nutrição animal de alta performance produzida industrialmente, permitimos que o gado engorde mais rápido e em áreas menores. O resultado é uma reação em cadeia sustentável.
Essa estratégia industrial promove uma otimização do solo que recupera pastagens degradadas e otimiza o uso de terras já consolidadas. Todo o processo é sustentado por um ciclo regenerativo, no qual 99% das emissões operacionais são biogênicas, captadas naturalmente pela fotossíntese do milho e fechando um ciclo de baixíssimo impacto ambiental.
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É fundamental combater a desinformação também sobre preços. Dados de mercado comprovam que não há correlação entre a produção de biocombustível e o preço do alimento no prato do brasileiro. O valor do milho no Brasil segue as cotações internacionais, e apenas 15% da produção nacional é destinada às biorrefinarias.
O potencial da agroindústria brasileira é extraordinário. Se adotarmos o milho safrinha em todas as áreas de soja já consolidadas, o país pode dobrar sua produção de etanol sem avançar um único hectare sobre florestas ou biomas preservados. A indústria de grãos não foca apenas na eficiência operacional; foca em liderar uma transição energética que respeita a vocação do território e promove o desenvolvimento socioeconômico regional através da tecnologia.
Diante desse cenário, reafirmamos que o milho de segunda safra é a prova de que a agroindústria brasileira possui uma solução imediata, escalável e tecnológica para a descarbonização global. Estamos transformando grãos em futuro, provando que é possível ser, simultaneamente, o celeiro e a fábrica de energia limpa do mundo.
*Bruno Maier, gerente de Relações Institucionais da Inpasa
As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural


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