Representante da UE diz que há 'engajamento' nas negociações sobre exportações de carne ao bloco


O conselheiro da Representação Europeia no Brasil, Damian Lluna, afirmou nesta quinta-feira (18/6) que o novo mecanismo de diálogo criado entre o governo brasileiro e a Comissão Europeia para tentar solucionar o possível bloqueio às exportações de carnes para o bloco sinalizam “engajamento” para reverter a situação.
O mecanismo foi anunciado após conversa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursuala von der Leyen, durante o encontro do G-7, na França, nesta semana. O possível veto às exportações pode ser aplicado a partir de 3 de setembro porque o Brasil não apresentou as garantias exigidas pelos europeus sobre o controle de uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.
“Foi definido o novo mecanismo [de diálogo]. Ele sinaliza engajamento claro da parte europeia de trabalhar com Brasil para reverter situação. Esperamos que tudo isso dê certo”, disse Lluna, durante o Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), em Campo Grande (MS).
Ele disse que as equipes técnicas em Bruxelas estão “trabalhando intensamente” com o Ministério da Agricultura brasileiro para tratar de reverter a situação.
Por outro lado, o conselheiro reforçou que o regulamento de antimicrobianos da União Europeia não é uma novidade.
“Entendemos a preocupação brasileira a respeito da possibilidade de veto imposto a produtos de origem animal, mas o regulamento de antimicrobianos não é novo. A União Europeia tem, desdeo início dos anos 2000, regras de proibição desses produtos. Já é obrigação a todos os produtores europeus desde 2022 e agora tem para países terceiros que queiram exportar para lá. Não é questão nova, está há bastante tempo”, destacou.
Lluna lembrou que o acordo Mercosul-UE prevê a criação de um grupo específico de diálogo sobre questão de antimicrobianos. “Na União Europeia, essa é uma questão importante de saúde pública que está no centro das preocupações do consumidor”, reforçou.
O conselheiro destacou a importância de o Brasil investir em rastreabilidade para evitar problemas como esse. Ele disse que países vizinhos, e que concorrem com os produtores nacionais, como Uruguai, já fizeram esse dever de casa, mas ponderou que o desafio brasileiro é maior por causa do tamanho do rebanho — quase 200 milhões de cabeças.
“A questão da rastreabilidade é muito importante, é uma questão sobre a qual um investimento maior vai oferecer muitos benefícios (…) É óbvio que o Brasil tem um rebanho e desafio maiores, mas o potencial está associado ao risco. Investimentos tem que ser feitos para isso, reduzir riscos e aproveitar oportunidades”, destacou.
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Acordo
O conselheiro europeu ressaltou ainda que o Brasil é um dos principais fornecedores de produtos agrícolas para a União Europeia, a frente dos Estados Unidos, e que o bloco é o principal parceiro comercial do Brasil. Segundo ele, há espaço para incrementar a relação com o acordo de livre comércio com o Mercosul, que entrou em vigor em maio.
“Nesse panorama de guerra e contexto multilateral, diversificação de mercados e autonomia estratégica são palavras presentes em Bruxelas em debate sobre agricultura e que estão por trás dessa negociação [sobre o acordo]”, disse.
Ele ressaltou que há desafios de implementação do acordo, com as cotas e regras de origem. “Acompanhamos a vontade de abertura maior por parte do Mercosul para maior inserção nas cadeias globais de valor. A parte tarifária tem uma negociação complexa, mas conseguiram equilíbrio.”
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Protecionismo
O ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, afirmou que o veto da União Europeia aos produtores de origem animal do Brasil, que pode vigorar a partir de setembro, tem base técnica, mas é reflexo do protecionismo agrícola europeu.
Em conversa com jornalistas nos bastidores do Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), em Campo Grande (MS), ele disse que o Brasil tem condições de mostrar que segue as regras, mas que precisa fazer isso logo.
“[A decisão] é técnica. Obviamente, tem um reflexo, um resultado para o protecionismo agrícola. Mas a razão é técnica, então nós temos que enfrentar o que é verdade. Temos que resolver, tecnicamente, problemas técnicos para que o problema político seja superado com clareza”, disse o ex-ministro.
“Temos condição de responder e mostrar com clareza o que tem sido feito no Brasil dentro das regras necessárias. Temos condição de fazer isso. Se vamos fazer ou não, se a União Europeia vai aceitar ou não, nesse prazo estreito que não tem até 3 de setembro, não sei, não sou capaz de responder. Mas é uma questão apenas de tempo. Vamos mostrar que fazemos as coisas certas, e não ter preocupação de demorar para fazer isso aí, e fazer logo essas coisas”, completou.
*O jornalista viaja a convite da JBS
Globo Rural



