Por que Alexandre Kalil resiste a abraçar Lula em Minas outra vez

A deterioração da avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais tem influenciado os cálculos políticos para a disputa estadual de 2026 e levado pré-candidatos a buscar posicionamentos menos associados ao Palácio do Planalto em um dos principais colégios eleitorais do país.
Integrantes do entorno do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que é apontado como possível candidato ao governo estadual, afirmam reservadamente que a estratégia do grupo passa por consolidar uma candidatura de centro e evitar a polarização que marcou a disputa de 2022.
Segundo relatos de aliados, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, esteve duas vezes na residência de Kalil, mas as conversas não resultaram em avanços para uma aproximação política.
De acordo com essas fontes, o ex-prefeito busca diálogo com partidos de centro e não pretende vincular sua eventual candidatura ao campo polarizado da disputa nacional.
Os interlocutores também avaliam que qualquer associação a Lula representa um desafio eleitoral em Minas Gerais neste momento. Como exemplo, citam a trajetória recente de Kalil em Belo Horizonte. Reeleito prefeito em 2020 com mais de 60% dos votos e sem perder em nenhuma urna da capital, ele deixou o cargo, segundo aliados, com cerca de 70% de aprovação. Em 2022, contudo, foi derrotado por Romeu Zema (Novo) na disputa pelo governo estadual, inclusive na capital mineira. Para integrantes do grupo político de Kalil, a aliança com Lula naquele pleito foi um dos fatores que contribuíram para o resultado.
A avaliação ocorre em meio a um cenário de desgaste do presidente no estado. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, realizado em março, mostra que 52,4% desaprovam a forma como Lula administra o país, enquanto 43,4% aprovam sua gestão. No mesmo estudo, 45,5% classificam o governo como ruim ou péssimo, ante 32,5% que o avaliam como ótimo ou bom.
Outra pesquisa, do instituto Real Time Big Data, também realizada em março, registrou rejeição de 41% ao presidente em Minas Gerais. No levantamento, Lula aparece empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que alcançou o mesmo índice de eleitores que afirmaram não votar nele de jeito nenhum.
O quadro se insere em uma tendência mais ampla observada no Sudeste. Em maio, pesquisa BTG/Nexus apontou desaprovação de 50% ao presidente na região, contra 44% de aprovação. Já o levantamento da Genial/Quaest registrou desaprovação de 58% e aprovação de 38%.
Os números reforçam a percepção de parte dos analistas de que Lula chega a 2026 menos influente eleitoralmente em Minas Gerais do que em eleições anteriores. Para Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas, o presidente mantém competitividade no estado, mas perdeu capacidade de impulsionar candidaturas locais. “Ele é forte, está bem nas pesquisas em Minas, mas não tem mais a força para eleger um governador como tinha lá atrás”, afirmou.
Segundo Hidalgo, a tendência é que o desempenho dos candidatos dependa mais de suas próprias campanhas do que do apoio do presidente. “Lula dessa vez não vai transferir voto para ganhar. Quem vai ter que ganhar é o candidato”, disse.
O pesquisador também avalia que o petista chega à próxima disputa presidencial em condições mais difíceis no estado do que em 2022. “Hoje, ele se alimenta muito mais para fazer voto em Minas do antibolsonarismo do que da popularidade do governo dele”, declarou.
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