Lula “vai conduzir bem” situação de Jaques Wagner, diz Alckmin

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, neste sábado (20/6), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai “conduzir bem” a decisão sobre a permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) como líder do governo no Senado. O político baiano está com a posição sob ameaça após ter sido alvo de busca e apreensão em operação da Polícia Federal (PF) que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.
Alckmin também ressaltou que a PF “tem total independência para cumprir o seu trabalho”.
“O presidente Lula vai conduzir bem a questão e queria destacar aqui o compromisso do governo do presidente Lula com o espírito republicano. A Polícia Federal, os órgãos de controle, tem total independência para cumprir o seu trabalho”, disse o vice-presidente, durante agenda de entregas do setor ferroviário em Dom Aquino (MT).
A operação contra Jaques Wagner abriu nova crise em torno do presidente Lula a menos de dois meses do início da campanha eleitoral.
Parte do governo e do PT defendem a saída do senador da liderança no Senado como forma de estancar a crise e distanciar Lula do escândalo do Master. Outra parte dos aliados admite que a ação da PF dá munição à oposição, mas defende a permanência do senador no cargo.
Jaques Wagner, no entanto, resiste a deixar a função. Em entrevista após a operação, na última quinta-feira (18/6), afirmou que seguirá na posição e manterá sua pré-candidatura ao Senado. Também disse ter recebido apoio de Lula.
O presidente, por sua vez, não falou publicamente sobre o caso. Em agenda em Minas Gerais, na sexta-feira (19/6), Lula fez um sinal positivo com o polegar ao ser questionado se o senador segue na liderança do governo.
Entenda
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Os investigadores buscam esclarecer se o senador atuou em favor de pautas de interesse da instituição financeira no Congresso Nacional, entre elas uma proposta de ampliação do crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Em contrapartida, a PF suspeita que Jaques Wagner possa ter recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e outros benefícios que, somados, chegariam a R$ 3 milhões.
Além de Wagner, um dos principais alvos desta fase é o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A investigação tem como base mensagens extraídas do celular de Lima.
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