Copa: Quem vai entrar no lugar de Raphinha na seleção? – 21/06/2026 – Esporte

Carlo Ancelotti comandou neste domingo (21) o primeiro dos treinamentos de preparação do Brasil para o confronto com a Escócia. Foi ainda uma atividade sem boa parte dos titulares –só Alisson, Paquetá e Vinicius Junior foram ao campo no CT de Columbia Park, em Morristown, Nova Jersey, com descanso aos mais desgastados–, na qual fez mais observações técnicas do que táticas.
Uma das principais tarefas do italiano no momento é buscar um substituto para Raphinha, que sofreu lesão muscular na coxa direita, sem prazo estabelecido para retorno. O treinador vai fazer sua escolha em treinos fechados nesta segunda (22) e na terça (23), mantendo o padrão de mistério que tem adotado até aqui na Copa do Mundo.
Cinco candidatos se apresentam para a vaga aberta no ataque para a partida contra a Escócia, no dia 24, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, nas cercanias de Miami. São eles Luiz Henrique, Rayan, Martinelli, Endrick e Igor Thiago –Neymar estará enfim à disposição, mas ainda sem condição de ser titular.
Quando Raphinha se lesionou no fim do primeiro tempo do duelo contra o Haiti, o acionado foi Rayan, que se tornou o mais jovem representante da seleção em uma Copa desde 1970. Naquela situação, diante de um adversário que adotava linhas de marcação adiantadas, parece ter pesado a capacidade que o garoto de 19 anos tem para receber a bola em velocidade, nas costas da defesa.
“São pequenos detalhes que definem a entrada de um ou outro jogador. Foi por pequenos detalhes que escolhi o Rayan”, afirmou Ancelotti após o apito final, ainda no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pouco disposto a dar uma resposta mais completa sobre quais teriam sido esses pequenos detalhes.
A partida contra a Escócia promete ter outro desenho. A equipe britânica –que bateu o Haiti por 1 a 0 e foi derrotada por Marrocos pelo mesmo placar– costuma marcar em posicionamento mais conservador, com os atletas recuados. Contra um rival nesse desenho, em vez de tentar aproveitar espaços nas costas dos zagueiros, é preciso criar espaços.
É por isso que Luiz Henrique desponta como um dos principais postulantes à vaga. O fluminense de Petrópolis gosta de tramar jogadas a partir da ponta direita, com dribles e passes curtos. Ele foi titular no primeiro amistoso após a convocação para a Copa, contra o Panamá, mas não teve grande atuação e perdeu a posição.
Já no Mundial, entrou bem contra Marrocos, no segundo tempo, e só não participou do gol da virada porque as chances foram desperdiçadas por Raphinha e Danilo Santos. Agora, busca nova chance de mostrar que pode ser útil também desde o apito inicial.
Martinelli é outro jogador, segundo Ancelotti, capaz de criar espaços. Campeão inglês e vice-campeão europeu com o Arsenal, ele tem seu futebol apreciado pelo técnico italiano, mas atua preferencialmente pelo lado esquerdo. Para conviver com Vinicius Junior, que ataca por ali, seria necessário um ajuste.
Também seriam necessários ajustes para incorporar um atacante mais central, como Igor Thiago ou Endrick.
Thiago, típico centroavante de força e bola aérea, começou a Copa como titular, porém teve um desempenho bem ruim no embate com Marrocos e, ao que tudo indica, foi para o final da fila. Já Endrick é frequentemente retratado em piadas sobre a dificuldade que enfrenta para ganhar a confiança do chefe.
Independentemente da escolha que fizer, o técnico não verá problema em mexer na engrenagem do time. Entre a primeira e a segunda rodada, por exemplo, ele abriu mão de um homem de área e promoveu a entrada do móvel Matheus Cunha atrás de Raphinha e Vinicius. Mudou também o posicionamento dos laterais –com o direito mais avançado na estreia; o esquerdo, no duelo seguinte.
“O Brasil tem várias identidades. Eu não quero uma identidade clara na equipe. Quero que ela faça muitas coisas: defender com bloco baixo, aproveitar a qualidade dos jogadores, ser agressiva na frente… Você não tem que esperar uma identidade clara porque eu não quero uma identidade clara. Quero uma equipe que saiba ter muitas facetas”, disse.
Esporte / Folha de São Paulo



