Política

‘Vocês vão parar no tempo?’, diz Flávio Bolsonaro ao ser questionado sobre ‘Dark Horse’

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, voltou a afirmar nesta segunda-feira (24) que a prestação de contas do filme “Dark Horse” já foi apresentada e que é o presidente Lula (PT) quem deve explicações.

Flávio havia sido questionado pela Folha se havia mudado de ideia sobre apresentar o contrato firmado entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o filme. O senador pediu R$ 61 milhões a Vorcaro para a produção.

“Olha só, vocês vão parar no tempo? O Brasil está lambendo em chamas, todo mundo endividado, Brasil quebrado, vocês querem insistir com relação de fundo privado, que não tem contrapartida pública de nada?”, questionou. “Vocês não vão me colocar na mesma página desse cara. Hoje o governo Lula que deve explicações, vão cobrar explicações dele.”

A declaração foi dada a jornalistas após participação em reunião quinzenal da diretoria da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista, no centro de São Paulo.

Apesar de a produtora Go Up ter declarado gasto de cerca de R$ 75 milhões com “Dark Horse”, em um laudo privado anexado a um inquérito policial que investiga suposto uso de verbas públicas na produção, o documento não detalhou os financiadores nem incluiu notas fiscais emitidas pelos fornecedores.

Em maio, Flávio disse que havia pedido à produtora Go Up a apresentação de uma prestação de contas transparente e afirmou que estava “100% disposto” a tornar público o contrato do filme com Vorcaro.

Os repasses do banqueiro estão sob investigação da Polícia Federal, que apura se houve irregularidades nos pagamentos. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino deu aval, na sexta-feira (21), para que a PF acesse provas coletadas pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora Go Up.

O material vai turbinar a investigação da PF sobre a destinação de emendas parlamentares à produtora —apuração que está sob a relatoria de Dino.

Na reunião na Fiesp, Flávio seguiu os passos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e defendeu a exploração de terras indígenas. Ele argumentou que “os indígenas querem ser incluídos” e prometeu “destravar o Brasil”, com “licenciamentos ambientais dentro da lei, mas sem critério ideológico”.

“Por que não podemos fazer com que os indígenas decidam o que vai acontecer sobre sua terra? Ou não pode a comunidade indígena viver de ‘royalties’ de alguma atividade pecuária ou de mineradora dentro de sua propriedade? Por que não pode explorar o subsolo que existe sob essas reservas de forma responsável?”, questionou.

Flávio disse, também, que Lula “faz mais mal para o Brasil do que a pandemia” e que há mais pessoas endividadas hoje do que naquela época. Afirmou que tinha certeza que muitos na reunião olham para Brasília com nojo, e que eles têm razão. Disse que há uma “crise moral generalizada” e que a “Constituição parou de ser respeitada”.

Sobre a educação, afirmou que o diretório acadêmico das universidades federais “parece a cracolândia”, com estudantes profissionais “barbados”, de 40 anos.

Flávio disse, ainda, que esta eleição decidirá se o Brasil vai vencer ou “se o PT vai acabar com a nossa nação”.

Antes do encontro, Flávio conversou reservadamente com o presidente da federação, Paulo Skaf. Na reunião com a diretoria, Skaf afirmou que vê disposição de Flávio em “promover uma grande revolução no Brasil”. “Está a cada dia mais competitivo.” A jornalistas disse que o filho de Bolsonaro está alinhado às causas liberais e que, por isso, “tem a nossa simpatia”.

Em meio às discussões sobre o fim da escala 6×1, Flávio defendeu na reunião que o trabalhador possa negociar sua carga horária.

“A pessoa não tem que ficar engessada com uma escala fixa que não vai resolver a vida dela”, disse. “Quem quiser trabalhar no sistema que está, vai continuar […] Se quiser trabalhar mais horas, vai trabalhar também e vai ganhar mais.”

O candidato do PL também afirmou que não precisa de pacto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para que os dois caminhem juntos. Ele foi questionado sobre reportagem no portal g1 que afirma que os dois firmaram um acordo segundo o qual o filho de Bolsonaro, caso eleito, faria um único mandato, o que abriria espaço para Tarcísio concorrer à Presidência em 2030. O objetivo seria garantir o engajamento do governador na campanha de Flávio.

Na quinta-feira (20), o senador afirmou em um evento ao lado de Tarcísio que poderia ser um “presidente de transição”.

“Tenho pacto com ele, sim, de resgatar nosso Brasil”, disse Flávio nesta segunda. “A questão de ter protocolado PEC pelo fim da reeleição foi iniciativa minha, porque acredito que o melhor modelo é um único mandato de presidente.”

Mais tarde, em jantar da revista Veja de premiação de empresas, Flávio disse a empresários presentes que, se Lula for reeleito, eles não terão para quem vender seus produtos, porque ninguém terá capacidade de comprar.

O filho de Bolsonaro voltou a falar no endividamento e no aumento da carga tributária. “Não precisa gostar de mim para mudar esse país. Basta gostar de você. Brasil não suporta mais quatro anos do atual governo.”

O senador também disse, mais uma vez, que, se eleito, indicará quatro ministros do Supremo que sejam contra o aborto e contra as drogas e que respeitem a Constituição.

Folha de São Paulo

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