Lula diz que ‘se sentiu no MP’ em sabatina e cobra desculpas da imprensa pela Lavajato

Em sabatina realizada pela TV Globo nesta quinta-feira (27), o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a brincar que estava se sentindo “no Ministério Público”, pelas perguntas focadas exclusivamente em investigações da Polícia Federal e sem questionamento sobre propostas para um próximo governo.
A entrevista foi conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, que focaram praticamente metade da conversa em questões sobre as investigações contra o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, além do escândalo do INSS e apurações sobre o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, suspeito de envolvimento com uma lobista.
Lula foi direto em lembrar que foi vítima de um dos maiores casos de perseguição jurídica, na Operação Lava Jato, na qual teve o processo e a condenação anulados. “Eu conheço isso muito bem porque eu já vivi. Eu fui vítima da Lavajato, a maior mentira que contaram nesse país para me afastar da eleição. Eu fiquei 580 dias preso para provar que o [ex-juiz Sérgio] Moro estava mentindo”, destacou Lula.
“Eu coloquei minha cara. Eu poderia ter saído do Brasil. Queria provar que o Moro é mentiroso, Dallagnol é mentiroso. E a imprensa comprou essa mentira. A imprensa nunca me pediu desculpa por ter criado um monstro chamado Moro”, afirmou Lula, cobrando responsabilidade da própria TV Globo no caso. Diante do questionamento, Tralli e Vasconcelos fizeram um tímido “mea culpa”.
Questionado sobre as apurações contra Fábio Luís, investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal, Lula reforçou que seu filho deve provar que é inocente, mas que é preciso garantir o andamento da investigação e a presunção de inocência.
Lula também reforçou que jamais usará do cargo para beneficiar o filho, “como outros fizeram”, em referência à fala do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2020, que disse que trocaria agentes de segurança para proteger sua família.
“Não tem nenhuma acusação, tem ilações tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi. Eu não sou do Ministério Público, não sou da polícia, eu sou presidente. Eu não vou afastar delegado como outros fizeram. Ele [Fábio] sabe o que eu passei, o que a Marisa [Letícia] passou com a Lava Jato. Ele tem obrigação de não ter feito nada errado; ele tem que provar a inocência dele. Não vou fazer um milímetro de movimento para proteger meu filho. Esse é o comportamento do presidente da República”, afirmou Lula.
“O fato de ter pego conversas no telefone não justifica absolutamente nada. Não existe nenhum centavo desviado. Não existe nenhuma prova de conversa com ministro”, completou Lula, reforçando que todas as acusações divulgadas sobre o filho são oriundas de vazamentos das investigações.
Lula também admitiu que as investigações contra o ex-chefe de gabinete levantam suspeitas, mas que não há nenhuma comprovação de que a lobista conseguiu qualquer coisa que queria. “Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe que isso não é papel de chefe de gabinete. Qual é o papel de um chefe de gabinete? Se uma pessoa pede audiência, o papel dele é encaminhar para o ministério. A questão é: ela conseguiu o que ela queria? Ele conseguiu algum dinheiro público? Porque aí é que existe o crime”, afirmou.
Lula também foi questionado sobre a apuração do escândalo dos descontos irregulares nas aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e ressaltou que seu governo desbaratou um esquema iniciado em 2019, no governo de Jair Bolsonaro, e que os órgãos públicos tiveram total liberdade para investigar.
“Já devolvemos R$ 3 bilhões aos aposentados que foram roubados. E isso vai ser ressarcido pelos bens que tiramos da quadrilha, que foi criada em 2019. O dado concreto é que a quadrilha foi montada em 2019, nós investigamos e desbaratamos a quadrilha. Polícia Federal, CGU e AGU tiveram total liberdade para investigar”, afirmou.
Lula é o quarto entrevistado da série, que já ouviu o candidato do Novo, Romeu Zema, do PSD, Ronaldo Caiado, e do Missão, Renan Santos. Nesta sexta (28), o entrevistado será o candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro.
Em sua entrevista, Romeu Zema cometeu uma gafe e disse ter várias propostas contra as mulheres.
Já Ronaldo Caiado defendeu a anistia aos golpistas do 8 de janeiro de 2023, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Renan Santos defendeu aplicar Estado de Exceção em favelas e que o Brasil deve desenvolver bomba atômica para ser respeitado internacionalmente.



