A reação das redes sociais às sabatinas presidenciais

A rodada de sabatinas do Jornal Nacional na semana passada foi o primeiro momento desta campanha em que os principais presidenciáveis foram submetidos ao mesmo formato e ao mesmo tempo de entrevista. Seis candidatos passaram pela cadeira entre segunda (24) e sábado (29), o que torna a semana um caso raro de comparação sob condições parecidas. À medida que as redes sociais reagem a cada entrevista, é possível realizar uma análise sobre qual candidato se beneficiou mais da exposição.
No monitoramento em mais de 100 mil grupos públicos aplicativos de mensagens, somado ao debate no X e no Instagram, a inteligência de narrativas da Palver mediu a conversa sobre cada entrevista nas 24 horas seguintes à exibição, com cada candidato avaliado na própria janela para não favorecer quem foi sabatinado primeiro. Cada rede foi lida em separado, porque possuem mecânicas de produção e de captura distintas. O vencedor muda conforme a rede, e essa divergência é o dado mais relevante da semana.
Em nenhuma das três redes observadas o candidato mais falado foi necessariamente o que apresentou o melhor saldo.
Lula foi o único candidato com desempenho sólido nas três redes, sendo também o mais mencionado. No X, teve aprovação de 67% das menções opinativas, o segundo melhor saldo da plataforma. No Instagram e na mensageria, ficou perto do equilíbrio entre elogio e crítica. A pergunta sobre as investigações que envolvem o filho Fábio Luís foi o trecho de maior crítica, e em contrapartida, o tema da idade e da disposição do presidente teve recepção quase inteiramente favorável nas três redes.
Flávio Bolsonaro apresentou o comportamento que mais varia entre plataformas. No X, foi ao mesmo tempo o mais mencionado e o terceiro mais bem avaliado da rede, com 41% de aprovação. O que destacou a performance do senador entre os comentários foram as menções à sua calma durante a sabatina. No Instagram e na mensageria, o quadro foi um pouco pior, com aprovação de 35% e 38%. O principal ponto de prejuízo ao candidato foram as críticas acerca do financiamento do filme “Dark Horse” por Daniel Vorcaro. Este foi o assunto mais associado à sua entrevista nas três redes, sempre com ampla predominância de críticas.
Renan Santos foi o candidato mais bem avaliado no X, com aprovação de 78% das menções opinativas. E o resultado positivo também se apresentou no Instagram e nos aplicativos de mensagens —ainda que com menores números de menções, ele apareceu em segundo lugar em aprovação, com 64% e 59% das menções favoráveis, atrás apenas de Augusto Cury. A conversa concentrou-se em seu posicionamento contra “o sistema”, e houve reconhecimento inclusive de eleitores identificados com adversários.
Augusto Cury figura como mais bem avaliado no Instagram e nos aplicativos de mensagem, mas o dado precisa ser lido com cautela. A conversa opinativa sobre ele nessas redes é muito menor do que a de outros candidatos que lideram as pesquisas. Soma-se a isso que, nos aplicativos de mensagem, o candidato registra o maior índice de mensagens enviadas por usuários com comportamento automatizado entre os seis candidatos, num ambiente em que esse padrão já é alto para todos. No X, onde a conversa sobre ele é a mais orgânica e o número de menções é maior, a aprovação cai para 15%, em patamar próximo ao de Caiado e Zema.
Romeu Zema e Ronaldo Caiado tiveram o pior aproveitamento em todas as redes, tanto em alcance quanto em qualidade. O predomínio de crítica e aprovação variou de 8% a 32% conforme a plataforma. Para Zema, a conversa concentrou-se na dívida de Minas Gerais e na referência a Nayib Bukele. Para Caiado, na afirmação sobre milhões de brasileiros dominados pelo tráfico. Nenhum dos dois converteu a exposição em recepção favorável em qualquer plataforma.
A rodada revela que não houve um vencedor único, e que nem Lula nem Flávio Bolsonaro saíram das sabatinas com grandes prejuízos. Lula sustentou recepção positiva nas três redes e Flávio Bolsonaro teve resultado desigual, bem avaliado no X e em desvantagem no Instagram e nos aplicativos de mensagem, onde o caso Master pesou contra ele. Entre os candidatos com desempenho mais baixo nas pesquisas, o único que combinou avaliação favorável e atenção ampla em uma das redes foi Renan Santos, no X.
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Folha de São Paulo



