Eduardo deu instruções sobre como dinheiro do Dark Horse deveria ser gerido nos EUA

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Autoexilado nos Estados Unidos desde que se dispôs a pressionar o governo de Donald Trump contra o Brasil, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro deu instruções para o publicitário Thiago Miranda, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sobre como deveriam ser administrados em território americano os recursos milionários que supostamente financiariam o filme Dark Horse. As informações constam de documentos cujos sigilos foram revogados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
O Dark Horse, como se sabe, é a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro e pilar de um inquérito que colocou o candidato do PL à Presidência da República como investigado às vésperas do primeiro turno, em 4 de outubro. Uma das suspeitas dos investigadores é que parte dos 24 milhões de dólares estimados para a obra tenha sido drenada para custear Eduardo no exterior.
De acordo com as investigações, em 21 de março do ano passado, Thiago Miranda encaminha a Vorcaro os “conselhos” de Eduardo Bolsonaro para administrar a bolada. O Zero Três sugere, entre outros pontos, que seja enviado o máximo de dinheiro possível no sistema atual e informa que corretor Altieris Santana, ligado a ele, poderia dar informações adicionais em futuras reuniões presenciais. Santana também é diretor da Havengate Development Fund, o fundo que recebeu o dinheiro da Entre Investimentos para a cinebiografia.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, diz Eduardo, que indica que, dado o aporte alegado para produzir o filme – 24 milhões de dólares – o uso de empresas mais modestas para o envio do dinheiro poderia atrasar em pelo menos seis meses o pagamento efetivo dos valores. “Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, escreveu.
“Solução: enviar o máximo possível alinda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”, completa ele. Com o avanço das investigações sobre o Dark Horse, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, fechou um acordo de delação premiada e confirmou que fez repasses financeiros em cotas para o Havengate para supostamente arcar com os custos do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro é investigado na Polícia Federal pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa na arrecadação de valores para a obra audiovisual.
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