Ceará tem menos dinheiro por habitante no país, mas avançou em áreas fundamentais

O Ceará é o exemplo representativo do conceito que fundamenta o Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F): a capacidade de obter bons resultados mesmo sob restrição orçamentária.
O estudo compara o desempenho dos estados em educação, saúde, infraestrutura, segurança e finanças com a receita corrente líquida (RCL) per capita. O Ceará alcançou a segunda posição nacional, com nota 0,665, numa escala de 0 a 1, atrás apenas do Paraná (0,734).
A RCL per capita cearense é de R$ 4.275, a menor entre as 26 Unidades da Federação analisadas e 38% inferior à média dos estados, de R$ 6.913. A receita por habitante equivale a apenas um terço da registrada no Acre, que lidera nesse quesito.
O desempenho do Ceará é especialmente forte em educação, saúde e finanças. As notas são, respectivamente, 0,740, 0,642 e 0,658. Infraestrutura e segurança são os pontos de fragilidade e ainda problemáticos.
Na educação, o Ceará tem o terceiro melhor desempenho entre os estados, atrás de Paraná e São Paulo.
O resultado inclui 93,4% das crianças de 6 a 14 anos frequentando o ensino fundamental e 78,1% dos jovens de 15 a 17 anos no ensino médio.
A taxa de abandono na rede estadual é de apenas 1,9%, enquanto a nota média no Saeb chega a 274,7 pontos, acima da média dos estados, de 265,6.
Na saúde, o Ceará tem a sexta maior nota do país. A atenção primária alcança 96,6% da população, segunda maior cobertura entre os estados, e a rede pública oferece 174,1 leitos de internação do SUS por 100 mil habitantes. A mortalidade infantil é de 11,2 por mil nascidos vivos.
Educação e saúde têm peso dobrado no cálculo do REE-F, em razão das vinculações constitucionais de recursos para essas áreas, o que torna o desempenho cearense especialmente relevante para o resultado final.
O contraste aparece em infraestrutura e, principalmente, em segurança. O Ceará registra 34,7 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes e tem a terceira pior nota do país nessa dimensão, à frente apenas de Bahia e Amapá.
Mas a combinação geral ajuda a explicar por que o estado, mesmo com a menor receita per capita do país, chega ao segundo lugar geral.
O Ceará não está sozinho no Nordeste. Piauí, 5º colocado, tem RCL de R$ 5.534 por habitante, e Paraíba, 6º, de R$ 5.071. Os resultados dos três estados reforçam que receitas menores não impedem, por si só, um desempenho elevado nos serviços avaliados pelo ranking.
Folha de São Paulo



