Política

Eleições 2026: Eleitor desconfia do STF e acha que juízes estão envolvidos com o Master

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Os juízes do Supremo Tribunal Federal se enganaram, se realmente acreditaram que a guerra interna provocava apenas um desconforto social.

A crise no STF mudou de patamar na reta final da campanha eleitoral. Seis em cada dez eleitores dizem não ter confiança no trabalho nem nos juízes desse tribunal, cuja tarefa é proteger a Constituição. Menos de um terço (27,8%) ainda acredita, mostra pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira (22/9).

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A desconfiança declarada por dois terços do eleitorado confirma o buraco em que o Supremo se meteu — e continua cavando.

O descrédito é confirmado em outras sondagens, como a do Ideia/Meio. Metade dos adultos entrevistados acha que os juízes do STF decidem mais por “interesse próprio” do que pelas leis.

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O STF perdeu o controle da crise de confiança criada no rastro das descobertas sobre as relações de vários juízes com o antigo dono do banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso por trapaças em série no mercado financeiro. Ao menos dois, Alexandre de Moraes e José Antonio Dias Toffoli, tiveram negócios milionários das respectivas famílias com o banco das fraudes.

Do lado de fora do tribunal aumentou a convicção de que juízes do STF têm envolvimento direto nos negócios do Master. É certeza para 85% dos eleitores, era para 66% cinco meses atrás.

Gráfico de linhas comparando a imagem positiva e negativa dos ministros do STF José Antonio Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, de janeiro a setembro. Toffoli tem 79% de imagem negativa e 5% positiva em setembro. Marques tem 63% de imagem negativa e 12% positiva no mesmo período
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Dentro do tribunal parece cada vez mais remota a possibilidade de solução interna para delimitar a confusão institucional.

A guerra interna se intensifica. O juiz André Mendonça reivindica a anulação das acusações que o juiz Moraes lhe fez de crime de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa na supervisão das investigações sobre o Master.

Gráfico de linhas comparando a imagem positiva e negativa dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes do STF, de janeiro a setembro. Alexandre de Moraes tem 36% de imagem positiva e 59% negativa em setembro. Gilmar Mendes tem 26% positiva e 59% negativa no mesmo período. A pesquisa Atlas/Estadão foi realizada com 1.852 entrevistas
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Mendonça, agora, acusa Moraes de manipular relatórios da Polícia Federal para produzir acusações que considera falsas. Ele insiste em decisão do tribunal sobre a abertura de inquérito contra Moraes que teria trocado “52 mensagens (pelo menos)” com o ex-banqueiro Vorcaro “inclusive em horário imediatamente anterior à sua primeira prisão”, em novembro do ano passado.

Além disso, argumenta, haveria documentação atestando “a existência de relação pessoal (entre o juiz e Vorcaro), marcada por encontros presenciais e pela celebração de contratos de prestação de serviços advocatícios com pessoas de seu círculo familiar”, referência à banca de advocacia da mulher e filhos de Moraes.

Gráfico de linhas mostrando a imagem positiva e negativa de seis ministros do STF: Edson Fachin, André Mendonça, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino. Cada gráfico exibe duas linhas, uma vermelha para imagem positiva e uma azul para negativa, com porcentagens e datas de Jan 25 a Set 26. Os picos de imagem positiva são destacados com estrelas amarelas
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O Supremo conflagrado se traduz em um grave impasse na reta final das eleições gerais. A instituição está cada vez mais dependente de ajuda política externa, o que tende a animar a disputa pelas 513 cadeiras na Câmara dos Deputados e 54 no Senado na votação de domingo, 4 de outubro.

A saída para a crise deve ser dada pelo Congresso que toma posse em fevereiro de 2027. Na perspectiva atual, deverá ser transformadora: o STF ficaria restrito à função de tribunal constitucional.

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