Lula encerrará campanha na TV com ataque a Flávio Bolsonaro e investida por voto feminino

O último programa do presidente Lula (PT), candidato à reeleição, no horário eleitoral obrigatório do primeiro turno terá ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário, e uma investida final para atrair mais apoio do eleitorado feminino, segmento que já é próximo do petista e considerado fundamental para o esforço de reeleição lulista.
Esse poderá ser o último programa eleitoral da carreira política de Lula, caso a corrida pela Presidência seja encerrada no primeiro turno a ser disputado neste domingo (4). O petista tem 80 anos e já disse que essa será sua última eleição.
O programa de Lula será iniciado com um vídeo em que as diversas acusações feitas contra Flávio Bolsonaro ao longo dos últimos anos são compiladas. O petista tenta aumentar a rejeição do eleitorado ao adversário.
A peça tem trechos de telejornais noticiando casos como o Dark Horse –quando foi descoberto um áudio em que o senador pede dinheiro ao antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para concluir um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro.
Também aparece a acusação de que Flávio Bolsonaro teria participado de orgias organizadas pelo dono do Master, supostas ligações do senador com as milícias do Rio de Janeiro e pessoas afirmando que o candidato a presidente mente.
A peça tangencia, ainda, a especulação de que o senador retirará de Nossa Senhora de Aparecida o título de padroeira do Brasil caso seja eleito. Flávio diz que se trata de um boato mentiroso, mas o caso tem o desgastado junto ao eleitorado mesmo assim. Ao final desse trecho, um locutor diz “Bolsonaros, nunca mais”.
Em outro trecho, Lula faz um discurso direcionado ao eleitorado feminino. “Quero me dirigir às mulheres brasileiras. Vocês são a força que cuida e move esse país. É por você e pela sua família que eu quero um Brasil de oportunidades. Em que cada mulher e cada menina tenha o direito de viver e sonhar”, diz o presidente.
“Nesse domingo, eu peço a cada brasileiro e a cada brasileira que caminhe até a urna de peito aberto. Seu voto não é sobre mim ou sobre um partido político. Votar 13 é votar a você. Vamos juntos. Que Deus nos abençoe, o Brasil e o povo brasileiro”, diz Lula.
A peça busca o apelo emocional em diversos momentos. Em um deles, o presidente conta a própria história dizendo que perdeu as contas que perdeu. Ele menciona passagens importantes de sua vida, como a migração de Pernambuco para São Paulo, o acidente que decepou seu dedo e as derrotas em eleições.
“Mas tem uma coisa que essa gente nunca entendeu. Brasileiro não aprender a perder, aprende a não desistir nunca. E se eu estou aqui hoje é porque toda vez que esse povo confiou em mim nós todos ganhamos. E vamos ganhar de novo”, afirma o presidente no fim desse trecho.
O programa eleitoral revisita as promessas feitas por Lula ao longo da atual campanha, como o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso e a universalização do Pé-de-Meia, o programa de bolsas para estudantes do ensino médio.
O presidente aborda a segurança pública, um dos pontos com pior avaliação de seu governo. “Vamos sufocar o crime organizado, retomar os territórios das facções combatendo a bandidagem da sua esquina até o andar de cima”, diz o chefe do governo.
“Eu sei o que pesa na sua decisão. Você quer que a vida melhore. Eu também. Só que mudança tem direção. A minha, é para frente. Porque mudar para trás, a gente já viu no que deu. Quando voltei a governar o Brasil, o país estava quebrado. Em vez de lamentar, arregaçamos as mangas e encaramos o desafio”, declarou o petista no programa.
A referência a mudar “para trás” é ao governo Bolsonaro, que o grupo político de Lula classifica como retrocesso.
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Folha de São Paulo


