Política

Justiça por Ana Clara: entenda a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial acusado de matar criança de 5 anos

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) atuou para impedir o júri popular do policial acusado de matar a menina Ana Clara, de 5 anos, com dois tiros de fuzil. O PM Bruno Dias Delaroli foi preso em flagrante pelo crime, em 2021. 

Mais de cinco anos depois, o julgamento que estava inicialmente previsto para esta quarta-feira (21) foi remarcado para 2027. “Estou pedindo para que ele [policial] seja julgado. Não é só mais uma criança, eu não sou só mais uma mãe que chora. São 5 anos que levo isso comigo e eu não tenho resposta”, disse a mãe, Cristiane Gomes da Silva. 

No dia 2 de fevereiro de 2021, a menina foi morta enquanto brincava na porta de casa em Niterói (RJ). O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o cabo por homicídio doloso, quando há intenção ou se assume o risco de matar, mas Delaroli passou a responder ao processo em liberdade a partir de novembro de 2021. 

Na sequência, a Justiça do Rio decidiu que o ex-cabo da PM deveria ser julgado pelo Tribunal do Júri. Em 2024, Flávio Bolsonaro passou a integrar a equipe de defesa do policial acusado da morte de Ana Clara. O senador assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão que levava Delaroli a júri popular. Embora o pedido tenha sido negado, o julgamento não ocorreu.

Para Cristiane, o direito à defesa do acusado não está sendo questionado, sim a tentativa de cancelar o júri popular, previsto em casos de crimes dolosos contra a vida. “A certeza que eu tenho é de que eu nunca mais vou ter minha filha. Isso me desespera todo dia durante 5 anos”, disse. 

“A questão é ele ser um senador, usar esse poder, essa força que ele tem na política para anular um júri. Ele não está defendendo, está atuando para não acontecer um júri de um cara que matou uma criança de 5 anos”, afirmou Cristiane em vídeo publicado nas redes sociais do deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT).

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Em visita à família, Freixo perguntou se alguém da equipe de Flávio havia a procurado. “Nunca tive suporte nenhum, de nada. Eu acho meio contraditório porque ele diz tanto que preza pela família. Eu sou uma mulher, minha filha era uma menina. E assim ele se contradiz no que fala”, lamentou Cristiane.

“A pergunta que foi feita e está sendo feita pra ele [Flávio Bolsonaro] é por que advogou pra esse cara? A minha filha não volta mais. Eu não vou ter mais a minha filha. A única coisa que eu vou ter nessa vida ainda, e que eu acredito que eu vá ter, é a justiça pela vida dela”, completou a mãe.  

Entenda 

A participação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial se tornou um dos principais temas das eleições presidenciais nos últimos dias. No domingo (18), o caso foi mencionado pelo presidente Lula (PT) durante o debate na Band, que cobrou explicações do adversário sobre a atuação.

Em seguida, a cobrança por justiça para Ana Clara dominou entre os assuntos mais comentados nas redes sociais. O interesse pelo assunto também refletiu na procura pelo termo “flavio bolsonaro caso ana clara” nas buscas do Google, que chegou a ter mais de 1 milhão de buscas em 24 horas.

O caso já havia ganhado repercussão nacional com o documentário “O Julgamento que Nunca Aconteceu”, da série jornalística “Revelando”. O episódio detalhou as investigações e o envolvimento de Flávio Bolsonaro na defesa do réu.

O julgamento do ex-cabo Bruno Dias Delaroli pela morte de Ana Clara, antes previsto para esta quarta (21), foi reagendado para o dia 5 de maio de 2027. 




Brasil de Fato

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