Política

‘Indecisos não serão convencidos com argumentos de plano de país’ para votar em Lula, avalia cientista político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados no segundo turno com 44% e 45%, respectivamente, segundo a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). A rejeição de Lula caiu seis pontos, indo de 53% para 47%. Já Flávio oscilou de 54% para 52%. O número de indecisos está em 14% no levantamento espontâneo, mas, quando a pesquisa apresenta a lista de candidatos, o número cai para 2%.

A pesquisa Meio/Ideia, também divulgada nesta quarta-feira, mostra os candidatos tecnicamente empatados considerando a margem de erro: Flávio com 48% e Lula com 46%.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Roberto de Souza avalia que a pesquisa reflete a movimentação e o alto engajamento popular na campanha de Lula nesse segundo turno, ainda mais depois de um primeiro turno pouco combativo. Além disso, considera, como em outras oportunidades, que essa é uma eleição também sobre rejeição.

“Temos uma situação que deve se arrastar até o dia da eleição, em que possíveis viradas de voto de um lado para o outro e aumento ou diminuição da abstenção são o que devem decidir as eleições”, avalia.

Souza não considera que o debate da Globo, previsto para sexta-feira (23), tem potencial de definir a eleição e usa como exemplo o debate da Band, que define como “rinha de galo”. “Aqueles 15 minutos iniciais, tendencialmente, afastaram indecisos”, pontua.

“O que teve efeito para os indecisos foram, talvez, algumas questões pós-debate, notadamente o desafio que Lula colocou a Flávio de abrir o sigilo bancário e telefônico. Até o momento, ele não aceitou, e isso joga a candidatura do Flávio numa zona cinzenta”, pondera.

O cientista político reforça que indecisos que ainda não optaram por Lula não serão convencidos com argumentos de plano de país, mas com “um cordão sanitário anti-Flávio Bolsonaro”. “Mais do que a reeleição do Lula, é isso que está colocado.”

Para o analista, o critério de desempate passa pelas mulheres, que, segundo Souza, são quem historicamente mais se abstêm, principalmente as eleitoras mais velhas. “O desafio é conseguir engajar o eleitorado feminino em sua máxima potência e trabalhar com essa rejeição que é alta. O caminho passa por trabalhar esses grupos em minorias de direitos, as mulheres, os negros”, aponta.

Paulo Roberto de Souza também considera que a calibragem da postura do presidente Lula em passar a ser mais enfático em defender seu governo e suas posições, como aconteceu no enfrentamento a Flávio no debate da Band, pode ter gerado uma diminuição na hostilidade com relação à candidatura dele.

Além disso, o analista político acredita que a polêmica envolvendo a checagem em tempo real, que tem sido tema de pressão popular para a Globo, não deve ser um ponto de decisão para ir ou não ao debate. “Da forma como o cenário está, o que as pesquisas estão indicando, se ausentar do debate seria mortal para a campanha de Flávio. O azar é dele. Aí sim a gente pode ter a capacidade mais objetiva de apostar numa virada na chegada”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.




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