Flávio Bolsonaro sinaliza ao Flamengo dar solução a bets – 22/10/2026 – Negócios

Brasília
Um dia após o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicar a medida provisória (MP) que proibiu as bets no Brasil, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, conversaram por telefone para tratar do tema.
Segundo o relato de três pessoas ligadas ao futebol e à campanha de Flávio, ouvidas sob a condição de anonimato, o senador tranquilizou o flamenguista dizendo que, se for eleito, encontrará uma solução para os times de futebol e as casas de apostas.
Ele não se comprometeu, contudo, em restabelecer a autorização para que as empresas voltem a operar.

Bap comemora a eleição para a presidência do Flamengo ao lado do vice geral, Flavio de Araújo Willeman
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Paula Reis – 19.dez.24/Flamengo
O proibição aconteceu, assim como a ligação, antes do primeiro turno das eleições, em um momento no qual Flávio Bolsonaro crescia nos pesquisas de intenção de voto contra Lula.
A expectativa da campanha petista era aumentar a intenção de votos diante da rejeição do eleitorado às bets —pesquisa Datafolha de 1º de outubro mostrou que 78% das pessoas apoiavam o fim das apostas, prática que é associada ao aumento do endividamento e do vício em jogos.
Flávio Bolsonaro ainda não deixou claro se pretende apoiar a volta das bets, caso seja eleito. Durante a campanha, o candidato associou Lula ao jogo do tigrinho, um tipo de cassino online, e ressaltou ter votado contra a regulamentação do setor.

Flávio Bolsonaro durante evento de campanha em São Paulo
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Miguel Schincariol – 18.out.2026/AFP
Por outro lado, defendeu uma diferenciação entre cassinos virtuais e apostas esportivas, e disse que a proibição feita com “uma canetada […] agrediu a segurança jurídica, agrediu os clubes, diversas empresas” do setor.
As apostas online foram liberadas no governo Michel Temer (2016-2018) e passaram a operar, sem regras, no governo Jair Bolsonaro (2019-2022). Em 2023, o governo Lula propôs e aprovou no Congresso a regulamentação do setor, com o objetivo de impor a cobrança de tributos e regras sobre as bets.
O senador vem fazendo uma série de acenos às bets, que são uma importante fonte de receita tanto para os clubes de futebol quanto para veículos de comunicação, em razão da publicidade.
Um dia depois do veto às bets, Flávio publicou uma enquete no X, sem qualquer caráter oficial, indicando que flamenguistas votavam mais nele do que em Lula —o levantamento aconteceu no mesmo dia da ligação com Bap, apelido do cartola do Flamengo.

Flávio Bolsonaro publicou enquete de apoio entre flamenguistas um dia após Lula ter proibido as bets
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Reprodução – 26.set.26/@flaviobolsonaro no Instagram
Dias depois, em publicação no Instagram, Flávio Bolsonaro incentivou o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, a votar nele.
A Polícia Federal investiga se Flávio é sócio indireto de uma casa de apostas, a Best Bet, em parceria com o advogado Willer Tomaz —que, sozinho, foi o maior apostador do Brasil em 2025, movimentando R$ 5 bilhões.
De acordo com pessoas a par das discussões, novos contatos entre a campanha bolsonarista e o Flamengo foram foi feitos também após o primeiro turno das eleições —no qual Flávio ficou à frente de Lula, com 47,03% dos votos, contra 45,16%.
A Folha procurou a campanha de Flávio Bolsonaro por e-mail em 8 de outubro para perguntar sobre o contato dele com o presidente do Flamengo e reiterou o pedido nesta terça (20) e quarta (21), mas não teve resposta.
A assessoria de imprensa do Flamengo não quis se pronunciar. Bap também foi procurado diretamente por mensagem e ligação desde 30 de setembro, mas não respondeu.
Questionada se o Flamengo apoiava a candidatura de Flávio, a assessoria de imprensa do time negou. “O Flamengo não discute e não declarará apoio a nenhum dos candidatos”, afirmou.
A proibição às bets gerou revolta entre os clubes, que boicotaram uma reunião com o governo federal para tratar do tema menos de uma semana depois da medida provisória.
FLÁVIO E O FUTEBOL
Quatro pessoas ligadas ao futebol disseram à reportagem que, de maneira geral, os dirigentes são simpáticos politicamente a Flávio Bolsonaro, e portanto há a expectativa de que o candidato tome decisões favoráveis aos times, caso eleito.
O presidente do Flamengo, contudo, tem sido o mais atuante na defesa das bets.
O clube ingressou como parte na ação no STF (Supremo Tribunal Federal) que analisa a validade da medida provisória de Lula —processo que é relatado pelo ministro Luiz Fux— e estampou uma frase contra a proibição no principal espaço publicitário da camisa do time, antes reservado para propaganda de apostas.

Os jogadores Lucas Paquetá (esq.) e Danilo, do Flamengo, vestindo o uniforme com a frase “proibir não é proteger”, protesto do clube contra o veto às bets
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Guilherme Dionizio – 8.out.2026/AFP
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não tomou partido em público até aqui. O presidente da confederação, Samir Xaud, porém, ajudou no boicote à reunião com o governo federal.
Segundo relatos, ele conversou com presidentes dos clubes e, apesar de dar liberdade para que cada um tomasse sua decisão, deixou claro que não participaria do encontro.
A medida provisória aguarda tramitação no Congresso Nacional, mas parlamentares do centrão avaliam liberar as bets após as eleições.
Lula, após sair derrotado das urnas no primeiro turno, passou a evitar o tema das bets, seguindo a avaliação de seus assessores de que o efeito positivo pode ter sido menor que o esperado. Apesar do amplo apoio popular ao fim das bets, a proibição gerou um efeito rebote de setores prejudicados, como os clubes de futebol e a mídia, além de descontentamento por parte dos usuários.
Esporte / Folha de São Paulo



