O menor livro do mundo cabe em um grão de arroz

Você já imaginou precisar de uma lupa para ler um livro? E se eu te dissesse que existe um tão pequeno que poderia desaparecer entre os grãos de arroz do seu prato? Pois ele existe.
Durante uma viagem ao Japão, descobri uma curiosidade que mistura literatura, física e tecnologia. Em 2013, a empresa japonesa Toppan entrou para o Guinness, o livro dos recordes, ao produzir o menor livro impresso do mundo. Chamado “Flores Estação”, ele mede apenas 0,74 por 0,75 milímetro. Para ter uma ideia, um grão de arroz costuma medir cerca de 5 milímetros de comprimento.
Ou seja, o livro inteiro é várias vezes menor que um único grão de arroz. E não pense que ele tem apenas uma página. São 22 páginas com ilustrações de flores japonesas e seus nomes escritos em diferentes sistemas de escrita. Tudo isso em um espaço menor que a cabeça de um alfinete. Mas como é possível imprimir letras tão pequenas?
A resposta está em uma área fascinante da física e da engenharia: a microfabricação. Os pesquisadores utilizaram técnicas de impressão de altíssima precisão, semelhantes às empregadas na fabricação de componentes eletrônicos e na impressão de elementos de segurança de cédulas de dinheiro.
Algumas letras possuem traços de apenas 10 micrômetros de largura. Um micrômetro corresponde à milésima parte de um milímetro. Para comparar, um fio de cabelo humano costuma ter entre 50 e 100 micrômetros de espessura.
Nessa escala, até o comportamento da tinta se torna um desafio. Se ela se espalhar um pouquinho além do planejado, as letras podem perder completamente sua forma. É preciso controlar com enorme precisão a quantidade de tinta, a superfície e o processo de impressão. E como alguém consegue ler esse livro? Com uma lupa. O exemplar foi comercializado acompanhado de uma versão ampliada e de uma lente de aumento.
O mais interessante é perceber que essa tecnologia não serve apenas para criar recordes curiosos. Técnicas de fabricação microscópica também são fundamentais para produzir os componentes eletrônicos presentes em celulares, computadores e tantos outros equipamentos.
Da próxima vez que você abrir um livro, observe o tamanho das letras. Agora imagine reduzir tudo até caber na ponta de uma agulha. A ciência também nos ensina que grandes ideias podem ocupar espaços minúsculos.
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Folha de São Paulo



