Fuga de Flávio Bolsonaro é uma traição aos seus mais de 59 milhões de eleitores, diz cientista político

O senador Flávio Bolsonaro (PL) já está com a família em solo estadunidense, depois de fugir do Brasil por terra pela fronteira da Argentina e de lá seguir em um voo que fez escala no Equador até chegar à terra do aliado Donald Trump, que já fala em asilo político.
Ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político e advogado Jorge Folena afirma que a fuga de Bolsonaro é “uma traição aos seus mais de 59 milhões de eleitores”. “Ele simplesmente abandonou as pessoas que acreditaram nele. Foi embora para os Estados Unidos para proteger aquilo que as acusações pesam contra ele, de apropriação de patrimônio indevido”, ressalta.
Folena destaca que, muito além da construção narrativa de perseguição que a extrema direita costuma adotar, há outro elemento mais grave: há duas investigações envolvendo Flávio, mas, até o momento, não há denúncia formal contra ele. A quebra de sigilo bancário e telefônico do senador já deveria ter ocorrido, mas o ministro André Mendonça não o fez.
Além disso, o Brasil inteiro ouviu áudios dele pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ou seja, continua o cientista político e advogado, Flávio não teme apenas a atual investigação, mas o que ainda está por vir.
“Essa fuga dele para os Estados Unidos é muito mais do que um atestado de mau precedente que ele está dando. É uma investigação, ainda não é a conclusão, não tem quebra de sigilo. O Lula pediu para ele abrir o sigilo, e ele não abriu. No debate, o Lula afirmou na cara do Flávio Bolsonaro que não era concebível o país entregar a cadeira da Presidência da República para um miliciano. E o Flávio Bolsonaro não falou nada, não rebateu”, argumenta.
Segundo Folena, o pedido da apreensão de passaporte partiu da Polícia Federal (PF) porque, provavelmente, o setor de inteligência entendeu que isso era necessário. O advogado lembra da fuga de Jair Bolsonaro após a derrota para Lula em 2022. “O cara [Flávio] traiu 59 milhões de brasileiros que votaram nele, acreditando nele. Isso é o bolsonarismo. É assim que o pai dele fazia”, ressalta.
Com relação a uma possível articulação a partir dos Estados Unidos com o auxílio do Escudo das Américas para uma tentativa de golpe no Brasil, Folena é taxativo ao considerar que, sim, há essa possibilidade. “Donald Trump vem ameaçando o Brasil não é de hoje. Ele está ameaçando o Brasil desde o ano passado, quando terminou o Brics [a Cúpula do Brics]. Desde aquele dia, ele iniciou uma ofensiva contra o país, inclusive dizendo que o STF estava promovendo uma caça às bruxas”, avalia.
Jorge Folena destaca que, além de Flávio Bolsonaro, estão nos EUA Paulo Figueiredo e Alexandre Ramagem, e o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro. “Existe uma organização criminosa nos EUA conspirando contra a soberania brasileira”, aponta.
Para ouvir e assistir
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