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A farra (no Corinthians) sem data para acabar

Estamos em plena época de Carnaval, aquele feriado que durava uns cinco dias e agora ocupa metade do mês até em São Paulo. E tudo o que o folião-boleiro-carnavalesco mais quer é farra.

Outros clubes querem farra também, apesar da profecia do novo presidente do Corinthians, Augustus Melos, o homem sem plural. A frase “acabou a farra de Palmeiras e Flamengo” foi proferida no fim de 2023, mas já entra para os anais (de Augustus) em 2024. É só o Corinthians perder um jogo e a hashtag “acabou a farra” surge plena nas redes sociais. E ela tem surgido com frequência.

Enquanto a farra continua (para Ituano, São Bernardo, Novorizontino…), Augustus toma mais uma decisão que, agora, talvez pareça um pouco precipitada: demitiu Mano Menezes. Mano nunca foi mano de Augustus, é bom que se diga. O agora ex-professor do Corinthians era uma herança (maldita?) da gestão anterior, comandada por Duilio Monteiro Alves.

Mesmo prestes a deixar o cargo, Duilio fez um contrato com Mano em setembro válido até o fim de 2025, com multa rescisória de algo em torno de R$ 20 milhões.

Duilio faz, Augustus paga.

Mas se essa patacoada não entra para a conta de Augustus, as outras entram. O novo mandatário corintiano completou um mês de gestão no dia 2 de fevereiro, que foi o Dia de Iemanjá, mas também o Dia da Marmota, ou do “Feitiço do Tempo”. E o Corinthians parece vítima de algum feitiço que faz a equipe repetir erros em contratações e em qualquer tipo de anúncio de forma geral, um atrás do outro.

A patacoada preferida deste humilde escriba foi a contratação por empréstimo de Matheuzinho, lateral do Flamengo. Depois de tirar foto, entregar camisa e colocar o moço para treinar no CT, descobriram que o contrato de empréstimo não era bacana, não assinaram e mandaram o pobre Matheuzinho de volta.

Mano reclamou sutilmente, ou não tão sutil assim, da diretoria. Citou a matemática e é difícil contrariar a matemática. Saíram mais de dez jogadores, não chegou nem a metade disso. Mano também falou em não criar ilusões. Augustus não deve ter gostado.

Agora mesmo, enquanto estas linhas são escritas, surgiu a notícia “vazada” de que o clube está sondando Márcio Zanardi, do São Bernardo, como substituto —e até a conclusão deste texto, nada havia sido oficializado.

Mas Augustus e seus asseclas não devem ter lido o regulamento do Paulistinha deste ano. Ou leram mas não entenderam. Ou leram, entenderam, mas não ligam. O fato é que o tal regulamento diz que nenhum treinador pode comandar duas equipes diferentes no torneio. Isso quer dizer que, mesmo que Zanardi deixe o time do ABC (que está com 8 pontos, 5 à frente do Corinthians no geral), não poderia sentar no banco de reservas da equipe alvinegra como novo professor.

A pontuação total após os jogos de domingo deixa o Corinthians em penúltimo lugar, com 3 pontos. Como caem dois, ele está na tal zona de rebaixamento, à frente apenas do Santo André, com 2 pontos.

E, ironia cruel, a equipe de Augustus enfrenta justamente o Santos na próxima rodada, nesta quarta (7), na Vila Belmiro. O time do litoral não só é o líder geral (12 pontos, com um jogo a mais que São Paulo e Palmeiras, ambos com 10 pontos), como é treinado por Fábio Carille e tem no elenco Gil e Giuliano, dispensados pelo Corinthians. É muito ex junto.

Perder na Vila não seria bom, porém ainda não é a desgraceira total. Depois do Santos ainda vão faltar seis jogos, ou metade da primeira fase, e quaisquer duas vitórias podem levar o time do rebaixamento para a zona de classificação.

Mas, como disse o professor-filósofo Tite (outro ex-corintiano) após o empate com o Vasco, “em terra de imediatista, quem tem paciência é rei”. Mas Augustus não é rei. E a torcida não tem mais paciência com a farra alheia.


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Folha de São Paulo

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