Política

Advogada interrompe décadas de hegemonia de Eymael na candidatura do DC à Presidência

Neste ano, não teremos a musiquinha: “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão!” Depois de seis eleições consecutivas, o DC decidiu lançar um novo nome para concorrer à Presidência: Clariana Zacarkim Barão, 39, advogada, que nunca disputou uma eleição.

Um dos constituintes da Constituição Federal de 1988, José Maria Eymael, deputado federal entre 1986 e 1995, decidiu diminuir seu ritmo à frente do partido. Clariana, que é presidente estadual da sigla em Mato Grosso, terá como vice outra mulher, a também advogada Fabiana Torquato.

“Não me sinto intimidada pelo peso do cargo. Sou uma mulher honrada, de princípios firmes, que valoriza a família e não negocia com a desonestidade”, diz Clariana.

Filha de uma biomédica e um advogado, a candidata declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,8 milhão, dos quais 74% são um imóvel de R$ 979,5 mil e um carro de R$ 376 mil.

“Sou a chefe da minha família, sou mãe solo, trabalho muito, acordo cedo, construí a minha vida financeira do zero, à custa de muito suor, de retidão”, diz. Solteira, é mãe de Laura, de 14 anos. “Eu sou um retrato da mulher brasileira comum”, acrescenta.

É essa a bandeira que carrega como principal da sua campanha. Se pudesse escolher uma medida para os cem primeiros dias de um eventual governo, diz que seria o enfrentamento ao feminicídio, que considera o maior problema do país hoje, junto à corrupção. Sua forma de combate, diz, seria com rede de acolhimento imediato a mulheres que denunciam agressores, e políticas de independência financeira para elas.

Nascida em Cuiabá (MT), atribui aos pais o interesse por causas sociais: a família mantinha contato com casas de acolhimento de crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de pacientes de hanseníase. Fez trabalho voluntário nas enchentes do Rio Grande do Sul.

Descrevendo-se como candidata de centro-direita, defende a criação de cotas de cadeiras parlamentares para mulheres, para além das atuais cotas de candidatura, e diz reconhecer propostas válidas tanto à direita quanto à esquerda. “A política é a grande habilidade de negociar de uma maneira republicana, não interesses particulares ou escusos”, afirma.

Clariana classifica a atual gestão Lula como um “governo de publicidades”. Afirma que o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres não reduziu os números de feminicídio. Por outro lado, faz uma ressalva favorável às políticas de cotas raciais e sociais adotadas por governos petistas, que considera um instrumento válido de equidade.

Chama de “guerrilha” a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). “Até acredito que todos os lados têm boas ideias, mas que essa guerrilha que eles tomaram para si para defender as próprias ideologias só faz mal para o país”, diz.

Compara a necessidade de cotas, ainda, ao que considera o seu “grande desafio”: a falta de tempo de TV e de rádio.

O DC está entre os dez partidos que, em 2026, não atingiram a cláusula de barreira, regra que exige 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, com no mínimo 1,5% em nove unidades da federação, ou ao menos 13 deputados eleitos distribuídos por nove UFs. Por isso, a legenda ficará sem acesso ao fundo partidário e receberá apenas a cota mínima do fundo eleitoral, de R$ 3,3 milhões. Também por não superar essa cláusula, o partido não terá direito a horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.

“Os candidatos não largam do mesmo ponto de partida, isso é um fato”, afirma. Por isso, diz apostar nas redes sociais e em espaços de imprensa como estratégia para superar essa desvantagem de exposição.

Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo