Política

Aliado de Moraes, Paulinho da Força pede impeachment de Mendonça, Kassio e Fux

O presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força (SP), protocolou no Senado pedidos de impeachment contra os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Eles integram a ala adversária do ministro Alexandre de Moraes, aliado do parlamentar.

Dois dos três pedidos foram protocolados na terça-feira (29), mesma data em que Paulinho pediu ao ministro do STF Flávio Dino o afastamento de Nunes Marques e Mendonça de ações de fiscalização de propaganda no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Os ministros são, respectivamente, o presidente e o vice-presidente da corte responsável por acompanhar as eleições deste ano.

O pedido de impeachment de Mendonça foi protocolado antes, em 24 de setembro. Relator do caso Master, o ministro tem capitaneado uma ofensiva contra o ministro Alexandre de Moraes pela relação do colega com o banqueiro Daniel Vorcaro. A reação de Paulinho é vista como mais uma frente da crise do STF.

Apesar de o afastamento de ministros do STF ser de competência do Senado, qualquer cidadão pode peticionar contra os magistrados, apontando crime de responsabilidade. Os pedidos precisam ser despachados pelo presidente da Casa e aprovados por 54 dos 81 senadores. O senador Davi Alcolumbre (União-AP) tem travado os pedidos contra os integrantes da Suprema Corte.

Paulinho diz que Mendonça pratica crime de responsabilidade. O presidente do Solidariedade descreve a atuação do magistrado como parcial e “com direcionamento político-eleitoral”, citando a “criação de eventos processuais que possam favorecer o grupo político com quem ele tem ligação”.

Além disso, o presidente do Solidariedade cita o aporte de R$ 5 milhões da Cedro Participações, do empresário Lucas Kallas, ao Instituto Iter, de Mendonça. Kallas é apontado como sócio de Vorcaro. O deputado cita ainda diálogos do banqueiro sobre um encontro com o ministro e decisões favoráveis do magistrado ao grupo do banqueiro.

Paulinho da Força também afirma no pedido de impeachment que outros ministros do STF também tiveram relação exposta com Vorcaro, a exemplo de Luiz Fux e seu filho, Rodrigo Fux, a quem o banqueiro teria solicitado sobre um precatório bilionário.

Foi o caso de créditos da Agro Industrial Tabu, adquiridos por fundos de investimento e que eram de interesse do Banco Master. O julgamento entraria no plenário virtual do STF dois dias depois de Vorcaro acionar o filho do ministro.

“Diferentemente da proatividade investigativa demonstrada pelo ministro André Mendonça contra seu desafeto, Alexandre de Moraes, na véspera das manifestações do 7 de setembro, não houve providência alguma em relação aos fatos envolvendo a família Fux”, afirmou Paulinho da Força.

Ele também cita as relações expostas entre Vorcaro com outros ministros, como o próprio Kassio Nunes Marques.

No pedido contra Fux, Paulinho da Força aponta que o ministro não o permite continuar julgando o caso Master. Ele aponta que o magistrado tem suspeição no assunto e procede “de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro do cargo”.

O deputado voltou a citar os contatos de Rodrigo Fux com Vorcaro em novembro de 2024. O banqueiro teria apresentado um recurso ao advogado às vésperas do julgamento no STF.

“Somente em junho de 2026, quando Vorcaro já estava preso, Fux votou contrariamente ao pedido, acompanhando os demais ministros, em decisão unânime”, disse Paulinho da Força.

Sobre Kassio Nunes Marques, Paulinho transcreve conversas de Vorcaro sobre custeio de hospedagens de luxo e eventos pelo banqueiro para o ministro. O deputado também menciona o suposto pagamento de R$ 500 mil para Kevin Marques, advogado e filho do atual presidente do TSE.

Paulinho da Força é um dos nomes do Congresso com melhor trânsito com Alexandre de Moraes. Quando foi relator do projeto de anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro, o deputado construiu um texto em diálogo com o magistrado e com demais ministros do STF.

O texto que era uma anistia ampla foi aprovado como uma dosimetria, sem retirar livrar da prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista.

Quando a proposta foi aprovada, Paulinho negou que Moraes, relator dos inquéritos sobre a tentativa de golpe de Estado e dos atos antidemocráticos, tenha participado da escrita do texto. Nos bastidores, aliados apontam que o contato com o magistrado ocorreu para evitar que a proposta fosse derrubada no STF.

Folha de São Paulo

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