Política

Anvisa discute regulamentação de cigarros eletrônicos nesta sexta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute nesta sexta-feira, 1º, uma proposta de consulta pública para revisar a proibição de cigarros eletrônicos no Brasil. Em vigor desde 2009, a medida veta a comercialização, importação e propaganda dos chamados dispositivos eletrônicos para fumar.

Apesar da proibição, produtos contrabandeados podem ser encontrados livremente no comércio em todas as cidades do país. A estimativa é de que mais de dois milhões de brasileiros sejam consumidores regulares dos chamados “vapes”. Sem regulamentação, esses consumidores podem estar expostos ao perigo de inalarem substâncias tóxicas com altas doses de produtos maléficos à saúde.

A Associação Médica Brasileira (AMB) alerta que a maioria absoluta dos cigarros eletrônicos contém nicotina – droga psicoativa responsável pela dependência e que, ao ser inalada, chega ao cérebro entre sete e 19 segundos, liberando substâncias químicas que trazem sensação imediata de prazer.

De acordo com a entidade, nos cigarros eletrônicos, a nicotina se apresenta sob a forma líquida, com forte poder aditivo, ao lado de solventes (propilenoglicol ou glicerol), água, flavorizantes (cerca de 16 mil tipos), aromatizantes e substâncias destinadas a produzir um vapor mais suave, para facilitar a tragada e a absorção pelo trato respiratório. “Foram identificadas, centenas de substâncias nos aerossóis, sendo muitas delas tóxicas e cancerígenas.”

“O cigarro eletrônico em forma de pen drive e com USB entrega nicotina na forma de ‘sal de nicotina’, algo que se assemelha à estrutura natural da nicotina encontrada nas folhas de tabaco, facilitando sua inalação por períodos maiores, sem ocasionar desconforto ao usuário”, destacou a AMB.

“Cada pod do cigarro eletrônico no formato de pen drive contêm 0,7 mililitro (ml) de e-líquido com nicotina, possibilitando 200 tragadas, similar, portanto, ao número de tragadas de um fumante de 20 cigarros convencionais. Ou seja, pode-se afirmar que vaporizar um pen drive equivale a fumar 20 cigarros (um maço).”

Ainda de acordo com a entidade, o uso de cigarro eletrônico foi associado como fator independente para asma, aumenta a rigidez arterial em voluntários saudáveis, sendo um risco para infarto agudo do miocárdio, da mesma forma que os cigarros tradicionais. Em estudos de laboratório, o cigarro eletrônico se mostrou carcinógeno para pulmão e bexiga.

Matéria: O Antagonista

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