Aos 86 anos, cantor vendeu fazendas e rebanho de gado de corte usados como refúgio pela família em MT

Apesar de ter nascido na capital paulista e de ter conquistado o público nos anos 1960 durante a Jovem Guarda, o cantor Sérgio Reis (86) construiu uma ligação profunda com a cultura de raiz ao longo de sua carreira artística. Conforme detalhado pelo canal Fatos Rurais no YouTube, o intérprete de clássicos da música sertaneja usou o sucesso acumulado nos palcos para investir pesado no agronegócio. Ao longo de décadas de dedicação ao setor, ele se tornou proprietário de grandes áreas rurais distribuídas por estados estratégicos como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
As propriedades rurais do artista não funcionavam apenas como um hobby casual para os dias de folga, mas sim como um negócio estruturado de pecuária de corte. Sérgio Reis chegou a criar um rebanho expressivo com mais de 3 mil cabeças de gado Nelori mantidas no sistema de pastagem. O cantor acompanhava de perto o manejo dos animais e o fornecimento de gado para grandes frigoríficos da região, consolidando seu nome também no meio empresarial do setor agropecuário nacional.
Desafios de gestão de longe e a decisão de vender tudo
Apesar do sucesso nas fazendas e até de episódios inusitados, como a descoberta de minérios de ouro em uma de suas terras perto de Cuiabá (MT), a rotina profissional no meio artístico começou a pesar sobre a gestão do patrimônio rural. Com uma agenda lotada de shows, gravações e compromissos públicos por todo o Brasil, o cantor enfrentava dificuldades crescentes para estar presente e supervisionar pessoalmente o trabalho diário em suas propriedades.
Diante do desgaste provocado pela distância de milhares de quilômetros das fazendas e pelo risco associado à falta de acompanhamento direto, Sérgio Reis tomou a decisão de encerrar suas atividades como produtor rural. Ele liquidou o rebanho bovino e vendeu todas as suas fazendas no Centro-Oeste, concluindo um ciclo de anos dedicados à pecuária. Como revelou em declarações ao Fatos Rurais, o artista entendeu que a administração de terras exigia uma presença constante que sua rotina nos palcos já não permitia manter.

Novos horizontes e o olhar atento às oportunidades no setor
A venda de todas as fazendas e a saída definitiva da pecuária não significaram um desinteresse total do artista pelo setor agropecuário. Mesmo focado no segmento musical e na convivência familiar, Sérgio Reis continua acompanhando de perto o mercado do agronegócio e avaliando tendências de investimentos de longo prazo no campo. Entre as opções que despertam sua atenção estão os projetos voltados para o reflorestamento e o cultivo comercial de madeira, como o plantio de pínus.
O término de sua atuação na pecuária tradicional encerra um capítulo marcante na trajetória de uma das vozes mais populares do país. Sérgio Reis provou que sua paixão pela cultura caipira e pelo universo sertanejo ia muito além das letras de suas canções e dos papéis desempenhados na televisão. Sua passagem como grande proprietário de terras permanece como um testemunho da versatilidade de um artista que soube aplicar seu sucesso nos palcos para construir uma história de impacto no interior do Brasil.


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