Economia

Apoiada pelos ‘4 do Lula’, ata endurece e até acena com altas nos juros

O hiato do produto é a diferença entre o PIB (Produto Interno Bruto) observado e o PIB potencial — uma estimativa de quanto a economia poderia avançar, utilizando todos os fatores de produção, em seus pontos máximos, e portanto, sem causar inflação. Como o PIB potencial também não é indicador observável, seu estabelecimento depende dos elementos considerados por quem o estima.

Na ata da reunião de junho, o Copom anuncia ter aumentado sua estimativa de juro neutro de 4,5% para 4,75%, admitindo que a taxa neutra possa se situar, no momento, entre 4,5% e 5%. A elevação é marginal, mas indica que, na avaliação do comitê, o limite para cortar a Selic ficou menor.

Em relação ao hiato do produto, o Copom avalia que depois de um período em terreno negativo — ou seja, a economia real estava abaixo da economia potencial — o hiato agora “está em torno da neutralidade” — ou seja, um crescimento da economia acima do atual embute pressões inflacionárias.

Apesar das broncas do presidente Lula, do PT, de entidades empresariais do setor produtivo e de economistas não vinculados ao mercado financeiro, para os membros do Copom, incluindo os “4 do Lula” (os diretores nomeados a partir de 2023, por indicação do presidente Lula), há razões de sobra para interromper o ciclo de cortes na taxa Selic. Novas elevações nas projeções de inflação, desancoragem nas expectativas de inflação, atividade econômica divergindo da desaceleração prevista e cenário externo adverso formam um quadro que recomenda manter a taxa básica de juros contracionista até que a inflação convirja para o centro da meta.

Matéria: UOL Economia

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