Árbitro impedido de entrar no país, torcedores barrados e vistos sob restrição: entenda a polêmica da Copa envolvendo os EUA

A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, questões políticas e migratórias passaram a ganhar destaque fora das quatro linhas. Restrições de entrada, cancelamento de ingressos, dificuldades para obtenção de vistos e até impedimentos para viagens têm afetado torcedores, árbitros e delegações classificadas para o torneio, levantando debates sobre o impacto das decisões governamentais no maior evento do futebol mundial.
Torcedores do Irã perdem acesso a ingressos
Um dos casos que mais repercutiu envolveu a seleção do Irã. A Federação Iraniana de Futebol informou que a cota de ingressos destinada aos seus torcedores foi retirada poucos dias antes do início da Copa. Segundo a entidade, muitos fãs já haviam comprado passagens e organizado viagens para acompanhar a equipe nos Estados Unidos, mas acabaram sem acesso às entradas reservadas para a torcida iraniana.
A decisão gerou críticas da federação, que afirmou ter seguido todos os procedimentos estabelecidos pela organização do torneio. Até o momento, nem a Fifa nem as autoridades americanas apresentaram uma explicação pública sobre o caso.
Seleção iraniana terá logística especial

As restrições também atingiram diretamente a delegação do Irã. Embora os jogadores tenham recebido autorização para entrar nos Estados Unidos para disputar as partidas da Copa do Mundo, eles não poderão permanecer no país entre os compromissos.
Por isso, a seleção ficará concentrada em Tijuana, no México, e precisará cruzar a fronteira sempre que tiver treinamentos ou jogos em território americano. A medida foi adotada em meio às tensões diplomáticas envolvendo Irã e Estados Unidos.
Leia também: Argentina e outras seleções fazem amistosos nesta terça; veja horário e onde assistir
Jogador do Iraque foi detido por sete horas

Outro episódio chamou atenção nos dias que antecedem o Mundial. O atacante Aymen Hussein, principal nome da seleção do Iraque, foi detido e interrogado por cerca de sete horas no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago, após a chegada da delegação ao país.
Segundo veículos internacionais, as autoridades americanas teriam confundido o jogador com outro cidadão iraquiano. Dirigentes da seleção precisaram intervir para conseguir sua liberação. Após o episódio, Hussein foi autorizado a entrar no país e seguiu normalmente para a concentração da equipe, que retorna a uma Copa do Mundo após quatro décadas.
Árbitro da Somália fica fora do Mundial

As dificuldades migratórias também atingiram a arbitragem. O somali Omar Abdulkadir Artan teve a entrada negada pelas autoridades americanas e acabou excluído da Copa do Mundo de 2026.
O governo da Somália afirmou que realizou esforços diplomáticos para tentar reverter a decisão, mas não obteve sucesso. A Fifa confirmou a exclusão do árbitro e ressaltou que não possui poder para interferir em decisões relacionadas à imigração e concessão de vistos.
Surto de Ebola afeta torcedores do Congo

Torcedores da República Democrática do Congo também enfrentam obstáculos para acompanhar sua seleção. Devido às restrições sanitárias relacionadas ao surto de Ebola em regiões africanas, muitos fãs não conseguiram autorização para viajar aos países-sede da competição.
Diante da situação, a Federação Congolesa de Futebol solicitou à Fifa o reembolso dos ingressos adquiridos por torcedores que acabaram impedidos de embarcar. Enquanto isso, atletas e membros da comissão técnica conseguiram participar do torneio após cumprir protocolos sanitários fora da África.
Restrições migratórias ampliam tensão antes da Copa

O endurecimento das políticas migratórias do governo do presidente Donald Trump também tem provocado preocupação entre delegações e comunidades de imigrantes. Atualmente, cidadãos de países como Irã e Haiti enfrentam restrições mais severas para entrar nos Estados Unidos. Já visitantes de Senegal e Costa do Marfim podem obter vistos, mas estão sujeitos a limitações específicas.
Além disso, o anúncio de reforço na fiscalização migratória em cidades que receberão jogos do Mundial aumentou o receio entre trabalhadores estrangeiros. Em Los Angeles, grupos ligados à operação dos estádios chegaram a ameaçar paralisações caso ocorram ações de fiscalização durante a competição.
Fifa mantém posição de neutralidade
Diante das controvérsias, a Fifa afirma que a responsabilidade pela emissão de vistos e autorização de entrada em território nacional pertence exclusivamente aos governos dos países anfitriões. A entidade sustenta que não interfere em decisões migratórias e limita sua atuação à organização esportiva do torneio.
Mesmo antes da bola rolar, a Copa do Mundo de 2026 já enfrenta desafios que vão além do futebol. Os casos envolvendo torcedores, árbitros e seleções mostram como questões políticas, diplomáticas e migratórias passaram a influenciar diretamente a experiência de quem pretende participar do maior evento esportivo do planeta.
O Hoje



