‘Armação do Garotinho com o Douglas Ruas’, diz Paes sobre imbróglio na disputa pelo governo do RJ

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O candidato Eduardo Paes (PSD) afirmou em um vídeo postado nas redes nesta segunda-feira, 5, que a desistência do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) do recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentada um dia após a votação, foi uma manobra planejada para permitir que Douglas Ruas (PL) fosse eleito ainda no primeiro turno. “Hoje finalmente está todo mundo sabendo do escândalo que estou alertando desde o início. A armação do Garotinho com o Douglas Ruas para o candidato do PL vencer a eleição no tapetão”, disse.
Segundo Paes, o movimento não teria ocorrido de forma isolada e faria parte de uma articulação política envolvendo o PL. O candidato relacionou a estratégia ao fato de que, com a eventual anulação dos 274.411 votos de Garotinho, Ruas ultrapassaria 50% dos votos válidos e poderia ser proclamado governador sem a realização do segundo turno. “Minha campanha alertou desde o começo que o garotinho era um candidato laranja (…) O único objetivo dele era tumultuar as eleições. Mas a justiça deixou ele livre”, criticou.
Garotinho teve a candidatura ao governo do Rio indeferida pela Justiça Eleitoral fluminense em razão de uma condenação por improbidade administrativa, mas recorreu ao TSE e disputou a eleição enquanto aguardava uma decisão definitiva. No primeiro turno, terminou em terceiro lugar, com 3,17% dos votos válidos. Como o registro estava sob questionamento, os votos ficaram sub judice e não foram considerados definitivamente no resultado da eleição.
Com os votos de Garotinho incluídos na apuração, Douglas Ruas terminou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes, levando os dois ao segundo turno. A eventual retirada dos votos do ex-governador, porém, mudaria a base de cálculo: Ruas passaria a superar a metade dos votos válidos e poderia ser eleito já no primeiro turno. É justamente esse cenário que está no centro da disputa entre as campanhas.
A questão ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, 5, quando Garotinho desistiu do recurso que movia no TSE para tentar validar sua candidatura. Em uma manifestação pública, o ex-governador afirmou que a decisão foi “livre, expressa, consciente e irretratável” e disse que agora caberia ao povo arcar com as consequências do resultado das urnas. A desistência, porém, não significa automaticamente que seus votos serão retirados da contagem: cabe à Justiça Eleitoral definir os efeitos jurídicos da decisão.
As campanhas de Ruas e Paes passaram, então, a acompanhar de perto a posição do TSE. O candidato do PL adotou tom de vitória e afirmou ter “muita tranquilidade e confiança na Justiça”, além de dizer que espera uma solução para o caso “muito em breve”. Já o grupo de Paes sustenta que o tribunal deve analisar o impacto da desistência sobre toda a eleição, e não apenas a situação individual de Garotinho, já que uma eventual retotalização pode definir se haverá ou não segundo turno no estado.
O caso é relatado no TSE pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, que já havia sido acionado antes do primeiro turno pela campanha de Paes para que houvesse uma definição sobre a situação de Garotinho. Agora, a decisão ganhou outro peso: em vez de definir apenas a validade de uma candidatura, o tribunal terá de estabelecer como a votação de Garotinho deve ser tratada e, a partir disso, se o resultado anunciado após o primeiro turno será mantido.
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