‘Baralho’ e inteligência: os planos de Ciro Gomes para a segurança no Ceará

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No Ceará, até os dados de combate à violência entram na roda-viva da disputa de narrativas políticas. Na quinta-feira, 18, o governo do petista Elmano de Freitas informou que crimes contra a vida tiveram redução de 39,7% de janeiro a maio de 2026 em comparação com igual período do ano passado. Para o titular do Palácio da Abolição e seus aliados, trata-se, evidentemente, de uma “queda histórica” nos índices de violência de um dos estados em que o domínio territorial de facções criminosas mais cresceu nos últimos anos.
A oposição à gestão do PT, liderada pelo pré-candidato do PSDB, Ciro Gomes, tem visão diferente. Adversários de Elmano apontam na queda dos crimes violentos uma “paz fictícia”, que seria, segundo eles, fruto de um suposto acordo velado entre o Executivo estadual e chefes do tráfico de drogas — algo na base, ainda de acordo com esses opositores, do “um não incomoda o outro”. Ou seja, menos incursões policiais em áreas conflagradas em troca de uma ordem de cima para que cessem atos de violência, por essa tese.
Ciro Gomes diz que o acordo está aí para quem quiser ver. “São 25 anos de omissão, período no qual as facções deixaram de ser uma pequena engrenagem em São Paulo e no Rio de Janeiro para virarem poderosíssimas organizações narcoterroristas de militância internacional e que, hoje, estão se imiscuindo na política”, afirmou. E apresentou, em entrevista a VEJA, suas propostas para enfrentar os grupos criminosos.
“Haverá uma inovação para jovens que ainda não entraram na violência explícita, em que vou recrutá-los para uma grande rede comunitária de inteligência com sofisticação tecnológica de última geração”, anunciou o ex-ministro dos governos Itamar Franco e Lula 1. “A outra para os ases, reis, damas e valetes do crime, em um baralho que será distribuído, inclusive tecnologicamente, de forma popular e massiva.”
De acordo com o postulante tucano, o território do Ceará vai ter quatro “ases”, cujas informações estarão disponíveis para toda a sociedade pelo celular. Haverá um programa de recompensa “por pista e por eficácia”. Ciro explicou: “Se o criminoso está em São Paulo, está no Rio… Meu governo vai caçá-los lá também. Faço um convênio, mas nós vamos caçar o ‘ás’ onde ele estiver. Aí tem os reis. No território, você tem um mandãozinho. Se já tiver cometido crime, a eliminação vai ser pela via da prisão ou pela retirada de circulação”, garantiu.
Questionado sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, abrindo brecha para empregar a CIA e as forças armadas americanas no combate às facções, inclusive em território estrangeiro, Ciro respondeu ser uma pena “que uma potência estrangeira se autorize a fazer um gesto dessa natureza”. Mas planeja estabelecer uma cooperação com Washington para que um dos “comandos” da polícia de um eventual governo do tucano trabalhe com tecnologia americana.
“Será tecnologia especialmente de inteligência, que é o que me interessa mais. Não me interessa muito entrar em favela atirando a esmo e matando gente inocente a pretexto de pegar bandido. Vamos fazer cirurgicamente a caça do dinheiro e dos chefões a partir de níveis intermediários”, afirmou. Ele também quer colaboração de Israel. “No meu primeiro governo, quando governei o Ceará, mandei gente treinar lá e me dei muito bem.”
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