Economia

Berkshire Hathaway vende participação na Apple e tem lucro e caixa recordes

Warren Buffett subiu ao palco durante a reunião anual da Berkshire Hathaway neste sábado (4), fez uma homenagem ao seu sócio de longa data, Charlie Munger, que morreu no ano passado, e falou das metas da Berkshire de aumentar os lucros.

Foi a 60ª reunião de Buffett, 93, desde que ele assumiu a Berkshire em 1965. Ele praticamente parou de aparecer em público para falar sobre a empresa. Em novembro, afirmou a investidores que se sentia bem, mas sabia que estava “jogando a prorrogação”.

Antes da reunião, a Berkshire divulgou lucros no primeiro trimestre que mostraram que sua pilha de dinheiro aumentou para US$ 189 bilhões até 31 de março, enquanto sua participação na Apple diminuiu.

O lucro operacional foi recorde e superior a US$ 11 bilhões, já que suas operações de seguros se beneficiaram de uma melhoria na subscrição e de uma maior receita de investimentos com o aumento das taxas de juros.

O valor da participação da Berkshire na Apple caiu 22% para US$ 135,4 bilhões em 31 de março, em comparação com US$ 174,3 bilhões no final de 2023. No trimestre, o preço das ações da fabricante do iPhone caiu apenas 11%.

Com base nas mudanças no preço dos papéis da Apple, a Berkshire teria vendido 13% de suas ações da empresa no trimestre.

Buffett elogia há muito tempo a liderança da fabricante do iPhone e seu domínio do mercado.

Alguns investidores expressaram preocupação que a Apple se tornou uma parte grande demais do portfólio de investimento da Berkshire. O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, estava na plateia na reunião deste sábado.

“O objetivo da Berkshire é aumentar os lucros operacionais”, disse Buffett, ao iniciar a reunião com uma análise dos lucros do primeiro trimestre.

No centro de Omaha, centenas de acionistas aguardaram na fila durante a noite para entrar cedo na reunião. Quando as portas foram abertas, alguns correram para conseguir bons assentos. O auditório rapidamente ficou lotado.

Foi a primeira reunião de acionistas desde que Charlie Munger, amigo de longa data, sócio e de personalidade oposta a de Buffett, morreu em novembro aos 99 anos.

Em um vídeo antes da reunião, a Berkshire fez uma homenagem a Munger mostrando fotos de Omaha de 1924 e imagens de Buffett e Munger ao longo dos anos.

Munger era conhecido por suas respostas lacônicas e mordazes às avaliações muitas vezes longas de Buffett sobre a Berkshire, a economia, Wall Street e a vida.

“Os pensamentos arquitetônicos de Charlie levaram à Berkshire Hathaway de hoje em dia”, afirmou Buffett, no vídeo. Seu projeto, disse, “permanece além da sua vida e continuará vivo muito além da minha”.

Agora, os investidores estão de olho em como a casa de investimentos evoluirá, diante de desafios como a melhor maneira de crescer sem pagar a mais por aquisições, se pagará dividendos ou não e como utilizar o caixa disponível, que estava em US$ 189 bilhões até o fim de março.

A Berkshire é um conglomerado de US$ 862 bilhões com dezenas de negócios, incluindo a ferrovia BNSF, a seguradora de carros Geico, a rede de fast food Dairy Queen e a empresa de roupas Fruit of the Loom.

Também é dona de mais de US$ 300 bilhões em ações, quase metade delas da Apple.

As ações da Berkshire subiram 23% no último ano, atrás dos ganhos de 25% do índice Standard & Poor’s 500. Na última década, avançaram 218% contra 172% do S&P 500.

Reportagem adicional de Scott Morgan e Davide Barbuscia

Folha de São Paulo

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