Economia

Bilionário dono da LVMH compra ações minoritárias de proprietária da Cartier

O bilionário Bernard Arnault, dono do conglomerado de marcas de luxo LVMH, comprou ações de um de seus concorrentes: a Richemont, o conglomerado suíço concorrente por trás da joalheria de luxo Cartier.

A participação é muito pequena para ser divulgada publicamente e é um investimento pessoal de Arnault, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto. O bilionário é um dos cinco homens mais ricos do mundo e a LVMH é dona de marcas como Louis Vuitton, Dior, Sephora e Chandon.

De acordo com as fontes, a aquisição é mais um de vários investimentos feitos pela família e não indica nenhum movimento específico em relação à Richemont.

LVMH e Richemont se recusaram a comentar.

Não se sabe quando as ações da Richemont foram adquiridas. A Bloomberg foi a primeira a relatar a notícia da participação de Arnault, afirmando que o bilionário francês pretende mantê-la como investimento.

As ações da Richemont subiram cerca de 24% neste ano e valorizaram cerca de 2,8% na terça-feira (25), embora tenham recuado das máximas alcançadas em julho do ano passado, à medida que o setor de luxo enfrenta preocupações com a demanda mais fraca no importante mercado chinês.

DISPUTA PELA CARTIER

O investimento poderia, no entanto, retomar especulações sobre aquisições em grandes grupos de luxo, especialmente porque a Richemont, controlada pelo bilionário sul-africano Johann Rupert, de 74 anos, está se preparando para o processo de sucessão, assim como a LVMH.

A joalheria Cartier é um dos ativos mais atrativos da Richemont e estaria na mira da LVMH caso ocorra uma negociação, segundo informações de pessoas da LVMH no passado.

O conglomerado comandado por Arnault anunciou nessa terça-feira a aquisição da Swiza, proprietária do fabricante de relógios de mesa ornamentais L’Epée 1839, por uma quantia não divulgada.

No segmento das joias, Arnault comprou a Tiffany em 2021 por US$ 15,8 bilhões.

Além da LVMH, outra empresa que teria interesse na Richemont é a francesa Kering, que tentou uma fusão com a dona da Cartier, mas o plano foi rejeitado.

Rupert sempre insistiu em querer preservar a independência da Richemont e recentemente renovou a gestão do grupo, ao nomear um novo diretor-presidente, Nicolas Bos, que anteriormente comandava a marca Van Cleef & Arpels.

Arnault, 75 anos, é conhecido como um negociante sagaz que já usou sigilo anteriormente para se aproximar de seus alvos. Ele surpreendeu a Hermès, fabricante das bolsas de luxo Birkin, em 2010, quando subitamente se descobriu que havia acumulado uma grande participação por meio de derivativos e usando intermediários, que eventualmente cresceu para mais de 23%.

O bilionário havia afirmado na época que não tinha intenção de assumir o controle da Hermès, cujos acionistas familiares reagiram, e a participação foi distribuída aos acionistas da LVMH em 2014.

Em entrevista à Bloomberg nessa terça-feira, Arnault ignorou as perguntas sobre futuras aquisições, dizendo que tinha “ideias para o futuro” e evocando marcas não mencionadas que se encaixariam bem na LVMH, mas acrescentando: “Não precisamos fazer isso”.

Folha de São Paulo

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