“Brasil é paixão”: John Cena manda recado exclusivo para fãs brasileiros na première de ‘Coyote vs. ACME’

A estreia mundial de Coyote vs. ACME, em Los Angeles, teve clima de vitória. Depois de uma longa batalha para tirar o filme da gaveta, a pressão do público ajudou a manter vivo um projeto que Hollywood quase apagou do mapa. Em um momento antológico, o ‘próprio’ Coiote abriu a festa e cruzou o tapete “bege“, em homenagem ao deserto onde ele já tanto correu, carregando a placa: “Absolute Cinema”.
Em meio ao clima de comemoração pelo resgate da obra, John Cena, que interpreta o impiedoso CEO da megacorporação ACME, fez questão de enviar uma mensagem direta ao público brasileiro:
“O que vem à minha cabeça quando você diz Brasil? Paixão. Com certeza. Toda vez que me apresento para o público brasileiro, eles são tão apaixonados. Espero que esses fãs apaixonados compareçam para ver nosso filme neste fim de semana“. O filme acaba de chegar aos cinemas brasileiros e está com 95% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes.
“Se estamos aqui, é por causa da força dos fãs”
Ao comentar o turbulento resgate do longa, o ex-lutador de luta livre creditou a mobilização popular pelo lançamento nos cinemas: “Esta vitória é dos fãs. Eu tive uma ótima experiência no set e sabia que meu coração e alma estavam no projeto. Eu realmente acredito que ‘Coyote vs. ACME’ tem um alcance global. É um filme em que você pode sentar e rir. Espero que derramem uma lágrima e peguem leve comigo.”
Nostalgia e emoção
Quem cresceu assistindo às manhãs na TV se lembra bem do padrão: o faminto Wile E. Coyote encomendava um produto mirabolante pelo catálogo. Chegava a caixa. O plano parecia perfeito, mas logo explodia na cara dele ou os patins a jato o atiravam contra um paredão. O carismático Papa-Léguas passava emitindo seu inconfundível “Bip-Bip!”, deixando o coiote poeirento e derrotado.
Exausto de tanto se machucar com catapultas defeituosas, bigornas com erro de peso e elásticos com defeito de fabricação, o animal mais obstinado dos desenhos decidiu levar o assunto à justiça e contratou um advogado azarado, vivido por Will Forte, para processar a megacorporação ACME.
Atuar ao lado de um protagonista feito por computação gráfica e que não fala uma única palavra exigiu criatividade.
No tapete bege, Will Forte à Caras como foi esse desafio nos sets: “Sempre vai ser um desafio atuar com qualquer personagem animado porque eles não estão lá. Mas é particularmente desafiador com um personagem que não fala. Foi como fazer uma série de monólogos. Mas eles fizeram algo muito inteligente: trouxeram o Dave Barkley, que foi marionetista do Jabba the Hutt, um verdadeiro mestre da manipulação de bonecos. Ele controlava um boneco do Wile E. Coyote durante os ensaios. Então, quando começávamos a filmar, já sabíamos exatamente o que o Coiote estava fazendo. Isso tornou tudo muito mais fácil do que parece.”
O ator aproveitou para declarar seu carinho pelo país: “Eu nunca fui ao Brasil. Quero muito ir“.
O longa é pura nostalgia e nos presenteia com vários personagens que fizeram parte da infância de várias gerações: tem Piu-Piu e Frajola, Patolino, Taz, Pernalonga, Papa-Léguas, claro, e muito mais, em uma trama divertida e até emocional. Você vai se pegar sorrindo pelo emaranhado de lembranças e, quando menos esperar, sentirá aquela lágrima que John Cena mencionou.
Do engavetamento ao clamor popular
A saga do filme até chegar à telona teve tantas reviravoltas quanto qualquer plano fracassado do protagonista. Para entender o milagre desta estreia, é preciso voltar a novembro de 2023. O filme, um híbrido de animação e live-action inspirado em um artigo humorístico de Ian Frazier publicado, em 1990, na The New Yorker, já estava totalmente pronto. Dirigido por Dave Green, o longa já havia sido aclamado em exibições de teste.
No entanto, em uma decisão corporativa brutal, a Warner Bros. Discovery anunciou que o filme seria engavetado. O motivo? Uma manobra contábil de tax write-off (abatimento de impostos), preferindo recuperar cerca de US$ 30 milhões em impostos a lançar o projeto de US$ 70 milhões.
A reação da indústria e da internet foi imediata. Diretores, animadores e roteiristas se mobilizaram online denunciando a eliminação de arte finalizada por razões puramente financeiras. A pressão e a revolta dos sindicatos de Hollywood criaram um clima de cerco real contra a diretoria do estúdio. Hashtags como #SaveCoyoteVsAcme dominaram as redes sociais, com cineastas renomados pressionando por exibições privadas e leilão dos direitos para outras distribuidoras.
O movimento surtiu efeito. Diante da pressão e da repercussão negativa, a Warner Bros. permitiu que a obra fosse negociada com outros distribuidores. Em março de 2025, a distribuidora independente Ketchup Entertainment fechou o acordo e comprou os direitos do filme por US$ 50 milhões, garantindo que ele chegasse aos cinemas. No Brasil, a distribuição é da Paris Filmes.
O palco perfeito
Depois de sobreviver ao próprio estúdio, Wile E. Coyote finalmente ganhou uma festa em clima de revanche, com uma trama que agora parece baseada em fatos e o local escolhido para a grande celebração não poderia ter sido mais significativo.
A estreia aconteceu no histórico FOX Westwood Village Theatre, recinto que passou a ser carinhosamente apelidado de The Director’s Theater. O espaço fundado em 1931 foi comprado recentemente por um consórcio de 35 cineastas renomados, liderado por Jason Reitman e composto por nomes como Steven Spielberg, Christopher Nolan, Guillermo del Toro e Denis Villeneuve. O grupo uniu forças para salvar o lendário cinema e restaurá-lo para garantir a exibição em 35mm e proteger a experiência coletiva das salas de cinema contra os cortes da indústria. “Cinema Absoluto”, como dizia a placa do Coiote.
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