Política

Brasil vai às urnas mergulhado num mar de incertezas

O Brasil vai às urnas neste domingo (25) sob a égide da incerteza. Não apenas quanto ao resultado, mas principalmente porque não se sabe de verdade qual é a firmeza e a extensão do compromisso de Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com as urgências do país.

Prometeram muito, mas não se comprometeram de maneira clara e consistente com a estabilidade econômica e a reorganização da institucionalidade.

Nada disseram de convincente sobre como pretendem pôr as contas públicas nos trilhos e tornar o Orçamento viável; deles tampouco se ouviu palavra sobre a disposição de liderar um processo de retomada da autonomia harmônica dos Poderes exigido pela Constituição.

Ambos ficaram devendo explicações. O presidente sobre o que significa “o país pronto pra mais” (do mesmo?) e o Bolsonaro da vez sobre o que exatamente quis dizer com “redemocratizar” o país —pareceu pretender fazer tábula rasa da democracia reconquistada há quatro décadas.

Nessa nossa nação dividida há, contudo, um consenso: a campanha eleitoral que agora se encerra foi de baixíssima qualidade. Repleta de abusos, de interferências indevidas, vazia de conteúdo e refém de fã-clubes obedientes às chefias, a jornada foi um exemplo a ser rechaçado nas próximas eleições.

Ficou de positivo a retomada das ruas, compartilhada com as redes sociais como forma de expressão, numa construtiva composição do digital com o analógico. Se perdurar, boa notícia para quem o eleitorado escolher para ficar na oposição.

Já no debate final da Globo, o presidente e o senador frustraram a expectativa de que o embate definiria o desempate. O formato dos três primeiros blocos levou à abordagem de temas substantivos. No quarto, quando estiveram soltos, os candidatos voltaram a destilar hostilidades no terreno das provocações baratas.

Exibiram-se muito aquém do exigido pelo momento de decisão e deixaram no ar um inquietante clima de contestação das urnas, qualquer que seja o resultado.


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Folha de São Paulo

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