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Brasileiros brilham no Cirque du Soleil e revelam caminhos até o espetáculo Alegria: ‘Chegar ao topo’

O palco do Cirque du Soleil reúne artistas de diferentes partes do mundo, mas o espetáculo Alegria, em cartaz em São Paulo, também tem um forte sotaque brasileiro. 

Durante a visita da CARAS aos bastidores da montagem, a equipe conheceu alguns dos artistas do país que integram o elenco e ouviu histórias de dedicação, formação e superação até chegar a uma das maiores companhias circenses do mundo.

Entre os profissionais está Júlio César, integrante de uma família com quatro gerações ligadas ao circo. Filho de um professor de trapézio, ele cresceu acompanhando os treinamentos e encontrou na arte circense o caminho para construir sua carreira internacional.

“Apesar de ser a quarta geração da minha família, de assistentes assistentes, eu sou o primeiro a conseguir chegar no Cirque du Soleil”, contou.

A relação com a companhia começou ainda antes de integrar o elenco. Júlio cresceu assistindo às apresentações do Cirque du Soleil e chegou a usar músicas da companhia como trilha para os vídeos de seus próprios treinamentos.

“Desde pequeno cresci vendo os videocassetes na televisão do Cirque du Soleil, me inspirando e assistindo”, relembrou.

Da escola de circo ao palco internacional

A formação foi fundamental para que Júlio chegasse ao espetáculo. Ele passou pela Unicirco, projeto ligado a Marcos Frota (69), onde treinou ao lado do pai.

“Lá na Unircirco, Marcos Frota, eu passei anos e anos ali com meu pai, meu pai é professor de trapézio lá, ensinam diversos trapezistas que hoje em dia brilham ao redor do mundo e eu sou um deles”, afirmou.

A experiência abriu portas para o mercado internacional. Aos 18 anos, quando atingiu a idade necessária para trabalhar fora do país, Júlio recebeu a primeira oportunidade de integrar uma produção do Cirque du Soleil.

“Eu sou muito grato, a palavra é gratidão mesmo, pelo que a escola do Marcos pôde me proporcionar na minha vida e que mudou a minha vida completamente”, declarou.

Disciplina é parte da rotina

Nos bastidores de Alegria, os artistas também destacaram que chegar ao Cirque du Soleil é apenas uma etapa. Permanecer em uma companhia desse nível exige preparação constante.

Júlio explica que o treinamento envolve diferentes modalidades antes de o artista descobrir aquela em que possui maior aptidão. “Na escola de circo, você tem que fazer todas as modalidades até você ver em qual você tem mais aptidão para aquilo”, explicou.

A rotina também exige cuidados fora do palco. Para Pipe, outro dos trapezistas do espetáculo, sono, alimentação e concentração fazem parte da preparação para as apresentações.

“Tem que ter uma ótima noite de sono, muito foco nos ensaios, disciplina sempre pra poder chegar ao topo”, afirmou.

Histórias de superação

A trajetória até Alegria também foi marcada por diferentes caminhos. João Pedro, por exemplo, chegou ao espetáculo depois de construir uma carreira no circo e passar por outras companhias.

Ele conta que recebeu a primeira oportunidade de trabalhar no Cirque du Soleil para substituir outro artista e voltou posteriormente para uma nova temporada.

“Independente do bom trabalho que você faça, aqui é o ápice de todo artista circense, que é o nosso sonho, de qualquer artista circense, o sonho é chegar no Cirque du Soleil”, contou.

Já Jailson Santana, que atualmente atua como coordenador de trapézio, também construiu uma trajetória internacional antes de chegar ao espetáculo. Formado pela Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro, ele trabalhou em diferentes companhias e chegou a integrar o Ringling Brothers and Barnum & Bailey Circus, nos Estados Unidos.

No Cirque du Soleil, Jailson reencontrou artistas que acompanharam sua própria trajetória e que hoje dividem o palco com ele.

O sonho de chegar ao Cirque du Soleil

Para Marcos Frota, acompanhar os artistas brasileiros no elenco de Alegria representa também a continuidade de um trabalho desenvolvido ao longo de décadas.

Ao falar sobre os profissionais que passaram por projetos de formação ligados a ele, o ator destacou o significado de vê-los alcançar grandes palcos internacionais.

“Eu não consegui segurar as minhas lágrimas. Eu chorei copiosamente, porque eu olhei pra trás e pensei, ‘valeu a pena tudo’”, contou ao relembrar a primeira vez que assistiu ao espetáculo com os artistas.

O resultado, para ele, está justamente nas histórias construídas pelos profissionais que passaram por sua formação e hoje seguem carreira dentro e fora do Brasil.

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