Saúde

Broncoaspiração pode causar asfixia e é comum em crianças e idosos; saiba o que fazer

A menina Ayla, 4, filha da modelo Bárbara Evans deu um susto na família. Por causa de um amendoim, a criança precisou passar por uma broncoscopia. Evans relatou o ocorrido nas redes sociais.

A modelo contou que a filha engasgou enquanto comia amendoim sem casca. Ela tossiu, vomitou, e apareceu um chiado na respiração, além de tosse. O quadro persistiu por cerca de três dias. Pelo menos dois médicos a atenderam e não descobriram a causa. Foi a pediatra da menina quem fez o diagnóstico correto após ver o raio-X.

Ayla foi vítima de uma broncoaspiração, condição em que um material líquido ou sólido penetra na via aérea.

“No nosso mecanismo de deglutição, esse material vai da boca para a faringe e esôfago. Quando tem uma broncoaspiração, ele vai da faringe para a traqueia. Esse é o mecanismo de aspiração”, explica Diego Henrique Ramos, pneumologista do Hospital São Luiz Itaim, da Rede D’Or.

No caso de Ayla, o amendoim chegou ao pulmão. Com a broncoscopia, os médicos retiraram 95% do alimento. O restante será eliminado naturalmente.

“É uma situação de emergência médica. A depender do tamanho e do tipo do objeto ou do alimento, pode obstruir parcial ou completamente a respiração. Em alguns casos, leva à morte”, diz Ramos.

O problema não é exclusividade das crianças. Pode ocorrer com idosos, mas os motivos são diferentes.

Geralmente, o idoso broncoaspira por questões ligadas à doença neurológica crônica, um pós AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou um paciente com doença de Parkinson tem um risco maior de aspiração. Na criança, às vezes, acontece a incoordenação da deglutição e ela aspira.

Sinais da broncoaspiração

O primeiro sinal é a tosse seca intensa e persistente seguida por falta de ar, dor no peito e um desconforto após tentativa de deglutição. Normalmente, a criança engasga. “Em caso de suspeita, a pessoa deve ser socorrida pelo serviço de resgate ou ser levada ao pronto-socorro mais próximo”, orienta Ramos.

Segundo a pneumologista pediátrica Marina Buarque de Almeida, presidente do Departamento de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo, se for uma obstrução grave a criança fica roxa e perde a consciência.

“E tem poucos minutos para socorrer. Não sei se você lembra da bala Soft. Se a pessoa levasse um susto com a bala na boca e a aspirasse, ela morria, porque a bala fechava a passagem do ar”, comenta a médica.

Como evitar a broncoaspiração

A pneumologista afirma que crianças abaixo de 4 anos não devem ter acesso a alimentos como tomate cereja e uva –a não ser que estejam bem cortados.

“Com as nozes, amêndoas e o amendoim também é comum acontecer a aspiração. Quando for oferecer essas sementes, que seja de forma triturada ou macerada. Outra coisa que pode acontecer é a aspiração de brinquedos. Por isso, há uma série de brinquedos proibidos para determinadas idades, como os carrinhos Hot Wheels, que a roda pode soltar. Eles são recomendados a partir de 3 anos”, afirma a pneumologista.

A pipoca é outro perigo porque provoca engasgo com muita facilidade. Para crianças abaixo de 3 anos o ideal é optar pela pipoca de sagu. “Ela não tem a parte dura do milho, que pode levar ao engasgo”, afirma a médica.

Outra atenção é com a alimentação vegana. “Existe uma orientação de dar sementes para as crianças. Tive uma paciente que fez aspiração recorrente com semente de girassol, foi para a broncoscopia de urgência, um quadro gravíssimo. Vimos que ela já havia aspirado para outras partes do pulmão, outras vezes. As sementes devem ser trituradas”, ressalta Marina Buarque de Almeida.

“O problema do amendoim e das oleaginosas é que, quando você aspira, vai parar nos seus brônquios e causa uma inflamação, um edema importante. Provoca uma crise de chiado muito intensa, uma pneumonia aguda. Dependendo de onde vai parar esse alimento, pode até ser fatal”, finaliza a médica

O pneumologista Diego Henrique Ramos reforça, ainda, que é preciso supervisionar as crianças e os idosos com doenças neurológicas crônicas durante as refeições.

Informação

Folha de São Paulo

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