Câmara dos EUA retoma trabalhos com projeto para evitar shutdown antes das eleições

Os deputados da Câmara dos Representantes retornam a Washington nesta segunda-feira (31) com uma lista curta de tarefas após cinco semanas em seus distritos eleitorais. A primeira ordem do dia deverá ser uma votação sobre um projeto de gastos temporário destinado a manter o governo federal integralmente financiado até o início de dezembro, eliminando a possibilidade de um shutdown do governo antes das eleições de meio de mandato, conhecidas como “midterms”.
Com a temporada eleitoral começando, também são esperadas votações sobre medidas destinadas a reforçar a estratégia de comunicação do Partido Republicano para novembro, principalmente uma resolução condenando o socialismo. Os republicanos tentam associar o Partido Democrata, de maneira geral, aos candidatos socialistas democráticos que tiveram sucesso neste ano em suas campanhas eleitorais.
Outro item que pode entrar na pauta é um projeto aprovado pelo Senado que impõe sanções a setores importantes da economia russa e permite que o presidente Donald Trump aplique tarifas elevadas sobre produtos importados de países que compram a grande maioria do petróleo e do gás da Rússia. A iniciativa, liderada pelo falecido senador Lindsey Graham, busca privar o presidente russo, Vladimir Putin, das receitas usadas para financiar a guerra contra a Ucrânia.

O projeto foi aprovado por 86 votos a 11 no Senado. A aprovação pela Câmara enviaria a proposta à mesa de Trump para sanção. Alguns importantes democratas da Câmara, porém, se opõem ao texto. O projeto concede a Trump amplos novos poderes tarifários, que alguns parlamentares temem que possam ser usados para punir aliados, em vez de adversários.
Não há votação do projeto prevista para esta semana, mas seus defensores trabalham para que ele seja analisado antes de os parlamentares deixarem Washington para se dedicar exclusivamente às campanhas de reeleição.
Evitando outra paralisação do governo
O presidente da Câmara, Mike Johnson, deve colocar o projeto de financiamento em pauta no início da semana. A proposta passou por mudanças significativas no Senado, que a tornaram mais aceitável para os democratas. Ela adia uma regra proposta pelo Escritório de Administração e Orçamento (OMB, na sigla em inglês) que daria a indicados políticos mais poder sobre a distribuição de subsídios federais. O texto também inclui uma disposição para garantir que o governo não possa transferir recursos para a Patrulha de Fronteira.
Uma disposição que adia por um mês uma proibição federal de produtos intoxicantes de cânhamo contendo THC, porém, provocou críticas de muitos parlamentares republicanos. Como resultado, a liderança republicana provavelmente colocará o projeto em um procedimento acelerado que evita uma votação processual separada. Projetos analisados sob suspensão das regras precisam de dois terços dos votos para serem aprovados, o que significa que será necessário apoio significativo de ambos os partidos para que a medida avance e seja enviada à mesa de Trump.
Os parlamentares estão ansiosos para evitar a possibilidade de uma paralisação do governo enquanto os eleitores avaliam suas opções para novembro. O projeto de financiamento foi aprovado por 90 votos a 6 no Senado, mostrando que parlamentares dos dois partidos querem evitar uma repetição das duas paralisações históricas ocorridas no último ano. Fonte: Associated Press.
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