Candidatos ao Governo de MG se descolam de presidenciáveis em horário eleitoral na TV

Ainda que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tenham palanques formados com os nomes que se lançam ao Governo de Minas Gerais —o primeiro junto a Patrus Ananias (PT), e o segundo numa espécie de palanque duplo informal com Flávio Roscoe (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos)—, presidenciáveis têm aparecido pouco na grade do horário eleitoral na TV dedicada aos candidatos do pleito estadual.
A única exceção direta se verifica na campanha de Patrus, ex-prefeito de Belo Horizonte na década de 1990 e ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome nos dois primeiros mandatos do presidente Lula.
Candidato de última hora, Patrus foi definido pelo próprio presidente, após desistência e recusas de Rodrigo Pacheco (PSB), Marília Campos (PT) e do próprio Alexandre Kalil (PDT), que optou por não renovar a aliança com o petista para o pleito de 2026.
As primeiras inserções da campanha do candidato no horário eleitoral reproduziram cenas do comício realizado por Lula em agosto em Belo Horizonte, intercalando discursos do presidente e do candidato a governador. Já as mais recentes têm destacado seus feitos enquanto prefeito e ministro, ancorando-se no destaque à criação de mecanismos como o Orçamento Participativo e de programas sociais, como o Bolsa Família.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, só é citado de forma indireta na propaganda de Flávio Roscoe, candidato oficial do PL ao governo estadual. O empresário foi escolhido para o pleito com o objetivo de garantir um palanque para Flávio em Minas, especialmente após o vaivém da candidatura de Cleitinho, registrada no último dia do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Numa peça que se inicia e se encerra com a participação do deputado federal Nikolas Ferreira, candidato à reeleição, Roscoe busca se apresentar como novidade e destaca a atuação enquanto ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais).
“Se você, mineiro, está cansado de tanta mentira, conversa fiada e promessas vazias, eu preciso te contar uma verdade”, ele diz, para logo em seguida enumerar problemas que vão da dívida do estado à situação das estradas.
Ao fim do discurso, Nikolas diz: “Minas vota Flávio”, fazendo alusão tanto a Roscoe quanto ao candidato a presidente. Flávio Bolsonaro, contudo, não aparece na peça, nem seu número é destacado em tela.
Cleitinho, líder em todos os cenários nas intenções de voto, também não cita o candidato do PL, apesar de ter afirmado publicamente, em mais de uma ocasião, que apoia a eleição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na propaganda, o senador reforça sua dianteira na corrida eleitoral e cita as dificuldades enfrentadas para o lançamento de sua candidatura. “Fizeram de tudo para eu desistir. Mas eu estou aqui, e quem está aqui é você, é o povo”, diz.
Em seu discurso, Cleitinho reforça que, caso eleito, fará um governo para todos, adotando um tom conciliador entre eleitores da direita e da esquerda. “O que eu quero fazer aqui é menos estado e mais povo”, ele afirma.
Alexandre Kalil, por outro lado, candidato com o menor tempo de tela, optou por relembrar sua experiência enquanto ex-prefeito de Belo Horizonte e rejeitou a polarização que toma conta da eleição nacional.
“Nós assistimos aí essa guerra política que está acontecendo”, ele diz, logo no início da peça. “Você acha que sua vida vai mudar? Sua vida vai mudar na hora que você escolher o que, pelo menos, tente com coragem, com currículo, com experiência.”
Na outra ponta, com o maior tempo de tela, Mateus Simões (PSD) tem traçado um discurso para se apresentar ao eleitor e destacar a continuidade representada pela sua candidatura —ele foi eleito vice-governador de Minas Gerais em 2022 na chapa de Romeu Zema (Novo).
“Estive lá na linha de frente consertando o desastre que a velha política fez com o nosso estado”, ele afirma na peça, para em seguida valorizar feitos da gestão assumida por ele em março deste ano, quando Zema renunciou ao cargo para se dedicar à campanha pela Presidência da República.
O presidenciável, contudo, não chega a ser mencionado na propaganda, e até o momento os candidatos não fizeram nenhuma agenda conjunta.
Segundo pesquisa Datafolha da última sexta-feira (11), Cleitinho segue na liderança em intenções de voto, com 37%, seguido por Patrus e Kalil, com 13% e 11%, respectivamente.
Para a pesquisa, foram entrevistados 1.204 eleitores de Minas Gerais entre os dias 8 e 10 por meio de abordagem face a face em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais, e o nível de confiança de 95%.
Contratado pela Folha e pela Globo, o levantamento está registrado no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código MG-01611/2026.
Folha de São Paulo



