Cantor Lionel Richie passa por procedimento no coração e médicos alertam para riscos

Lionel Richie passou por um procedimento cardíaco nesta terça-feira, 22 de setembro para tratar uma fibrilação atrial (FA). A informação foi confirmada por um representante do cantor à NBC News. Segundo o comunicado, o procedimento transcorreu sem intercorrências e o artista deverá permanecer afastado temporariamente dos palcos.
“Lionel foi submetido a um procedimento comum para fibrilação atrial (FA). O médico disse que tudo correu perfeitamente. Lionel está ótimo, mas vai tirar um tempo de folga e voltará aos palcos em breve”, informou o representante.
Os shows que estavam marcados para 26 de setembro, em São Francisco, 30 de setembro, em Chicago, e 2 de outubro, em Columbus, Ohio, foram cancelados. O tipo de procedimento realizado pelo cantor não foi divulgado.
No início de setembro, Lionel Richie já havia sido internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a realização de exames. Inicialmente atendido com suspeita de desidratação, o músico permaneceu hospitalizado para uma avaliação cardiológica e recebeu alta no dia 2.
O que é fibrilação atrial?
À CARAS Brasil, o cardiologista Dr. Tarcisio de Figueiredo, do Hospital Quali Ipanema e membro titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, explica o que acontece no coração de uma pessoa com fibrilação atrial.
“A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum. Em vez de os átrios — as câmaras superiores do coração — apresentarem uma contração organizada, ocorre uma atividade elétrica muito rápida e desorganizada. Como consequência, o ritmo cardíaco fica irregular e, muitas vezes, acelerado”.
Os sinais podem variar e, em alguns casos, sequer aparecem. “O paciente percebe palpitações, coração ‘disparado’ ou irregular, falta de ar, cansaço, redução da tolerância aos esforços, tontura ou desconforto torácico. Entretanto, uma parcela importante dos pacientes pode ser assintomática e descobrir a FA em um exame de rotina”.
O especialista ressalta que a condição não deve ser vista somente como uma alteração no ritmo do coração. “A ausência de uma contração atrial eficiente favorece a formação de trombos, principalmente no apêndice atrial esquerdo, aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC)”.
Quais procedimentos podem ser indicados?
O tipo de tratamento depende das características de cada paciente. Dr. Tarcisio explica que podem ser adotadas estratégias para controlar a frequência cardíaca e os fatores de risco, além da avaliação sobre a necessidade de anticoagulação para prevenir um AVC.
Entre os procedimentos possíveis está a cardioversão elétrica, “utilizada para interromper a FA e restaurar o ritmo sinusal, especialmente quando há sintomas importantes ou quando se opta por uma estratégia de controle do ritmo”.
Outra possibilidade é a ablação por cateter. “Procedimento minimamente invasivo em que áreas responsáveis pela manutenção da arritmia são isoladas, geralmente por radiofrequência ou crioablação”, explica.
O cardiologista acrescenta que a recuperação da ablação costuma ser relativamente rápida: “Muitos pacientes recebem alta no mesmo dia ou no dia seguinte e retornam progressivamente às atividades habituais. O tempo de recuperação varia conforme o procedimento, as características do paciente e a presença de outras doenças”.
Por que a fibrilação atrial pode causar um AVC?
O neurocirurgião Dr. Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema e chefe da equipe Interneuro, explica que a relação entre a fibrilação atrial e o AVC começa pela alteração do ritmo cardíaco.
“A fibrilação atrial nada mais é do que o coração batendo fora do ritmo. Quando a gente fala em fibrilação, é um batimento errático, em que o coração não tem um ritmo predeterminado. Por isso, ela está classificada dentro das arritmias cardíacas”.
A alteração pode fazer com que o sangue fique estagnado no átrio. É justamente nesse processo que surge o risco de uma complicação neurológica. “Essa estagnação pode levar à formação de coágulos. Esse coágulo, ao cair na circulação — porque toda a circulação que sai para o nosso organismo sai do coração —, pode ir para o cérebro e provocar o entupimento de um vaso cerebral”, explica.
Como é o acompanhamento?
Após o diagnóstico, o acompanhamento não se limita à própria arritmia. Dr. Tarcisio destaca que também é necessário investigar condições que podem estar associadas à fibrilação atrial.
“Depois do diagnóstico, o acompanhamento cardiológico deve avaliar não apenas a arritmia, mas também suas causas e fatores associados: hipertensão arterial, obesidade, diabetes, apneia obstrutiva do sono, consumo excessivo de álcool, doença valvar, insuficiência cardíaca e doença coronariana, entre outros”, explica.
O acompanhamento pode incluir diferentes exames. “O seguimento pode incluir ECG, Holter ou outros métodos de monitorização do ritmo, ecocardiograma e exames laboratoriais conforme o caso. Também é importante acompanhar a resposta ao tratamento e, quando indicada, a segurança da anticoagulação”.
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