Saúde

Com o frio, veja como diferenciar gripe, Covid e resfriado

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Parece que o frio veio de vez, pelo menos em algumas partes do país. Neste período de inverno, casos de gripe, resfriado e até mesmo Covid são comuns. Na edição desta semana, explico as diferenças dessas infecções respiratórias e como evitá-las.

Gripe, Covid ou resfriado?

A temperatura baixou, você puxou o cobertor e começou a sentir o corpo mole, uma leve sensação de febre, tosse e nariz escorrendo. Os sintomas respiratórios, comuns nesta época do ano, podem confundir e até mascarar algumas doenças mais graves, principalmente nos idosos ou em crianças muito pequenas.

Primeiro, é importante diferenciar quais são os agentes causadores das principais infecções respiratórias comuns no período mais frio:

  • Gripe: causada pelo vírus influenza, geralmente apresenta sintomas como febre, fadiga, dor de cabeça, dores no corpo, coriza, espirro e falta de apetite.

  • Covid: coronavírus (Sars-CoV-2), responsável pela pandemia de 2020. Com as novas variantes, os sintomas são principalmente nas vias aéreas superiores, como tosse, dor de garganta, dor de cabeça, perda de olfato e coriza. Em adultos, podem surgir também sintomas gastrointestinais.

  • Resfriado: há centenas de vírus que causam resfriado comum em humanos, sendo o principal o rinovírus. Os resfriados costumam ser mais leves do que as demais doenças respiratórias, com sintomas como coriza, espirro e dor de cabeça.

  • Bronquiolite: o VSR (vírus sincicial respiratório) é uma condição de maior preocupação em bebês de até dois anos e em idosos, podendo levar à hospitalização. Sintomas são tosse, chiado no peito e dificuldade em respirar.

Apesar de serem mais comuns casos de gripe e resfriado nesta época do ano, a Covid continua por aí, com novos casos aparecendo semanalmente, principalmente em pessoas não vacinadas ou que receberam doses de reforço há muito tempo.

Já em bebês de até dois anos, o grande vilão é o VSR, que pode causar bronquiolite e, em casos mais graves, pode levar à hospitalização e ser fatal.

Prevenção

Tanto para a gripe quanto para a Covid, as vacinas disponíveis ajudam a prevenir a doença grave, hospitalização e morte. Isso é importante se considerarmos que, anualmente, até 2019, cerca de 20 mil pessoas morriam por gripe no Brasil –os dados de 2020 em diante sofreram uma drástica mudança devido à Covid.

No caso da Covid, foram contabilizadas 3.899 mortes do dia 1º de janeiro até o último dia 29 de junho.

A campanha atual é voltada para pessoas com mais de 60 anos, com comorbidades, imunocromprometidos, profissionais de saúde, gestantes, puérperas, indígenas, quilombolas, profissionais que atuam no sistema carcerário, pessoas em privação de liberdade, adolescentes e jovens cumprindo medidas socioeducativas, pessoas em situação de rua e crianças de seis meses a cinco anos de idade.

Em abril, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a primeira vacina contra o VSR no país. O imunizante, indicado para gestantes, tem eficácia de 82% na proteção de bebês de até três meses após o nascimento contra infecções graves, e de 69% naqueles de três a seis meses.

Além da vacina, existem duas drogas, o nirsevimabe e o palivizumabe –este último, indicado somente para quadros graves de infecções respiratórias, com alto risco de hospitalização–, contra a bronquiolite para bebês de até dois anos.

Importante notar que nem a vacina contra gripe nem a da Covid previnem contra a infecção. Isto é, você ainda pode contrair a doença, mas esta tende a ser mais branda.

No caso do resfriado comum, não há nenhuma forma de prevenção.

Tá, mas como evitar?

Basicamente, existem algumas formas que aprendemos durante a pandemia da Covid –e outras, nem tão novas assim– que diminuem os riscos de contrairmos gripes, resfriados e outros.

A primeira é manter uma boa etiqueta respiratória: caso esteja doente, com sintomas gripais, evite ir trabalhar (peça para fazer home office), não exponha pessoas idosas ou vulneráveis, cubra o nariz e boca ao tossir e espirrar e, se possível, use uma máscara.

Isso vale também para quem não estiver gripado: é sempre bom usar máscara em locais muito aglomerados ou em lugares em que há alta incidência de pessoas com sintomas, como hospitais e outros serviços de saúde.

Manter a higiene das mãos, no caso dos resfriados comuns, também é importante, pois muitos casos são transmitidos após tocar objetos onde pessoas doentes encostaram e levar a mão à boca e ao nariz (corrimões de escada, botões de elevador e as famigeradas barras de apoio no transporte público), que concentram milhares de microrganismos diferentes.

Sempre bom também se manter agasalhado, pois em caso de alguma infecção viral, a exposição ao vento e ao frio podem agravar o quadro e levar até a uma pneumonia.

CIÊNCIA PARA VIVER MELHOR

Novidades e estudos sobre saúde e ciência

  • Poluição do ar diminui sucesso de fertilização in vitro. Um estudo apresentado na 40ª Reunião Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Amsterdã (Holanda), apontou que a exposição à poluição do ar antes da coleta de óvulos para fertilização em laboratório pode reduzir as chances de sucesso. A pesquisa, que teve um seguimento de mais de oito anos com mulheres 1.836 na Austrália, indicou uma queda de 38% no sucesso reprodutivo dos óvulos quando a exposição a partículas de poluição ocorria acima do indicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por até 3 meses.
  • Mulheres vivem mais após um ataque cardíaco do que homens. Cerca de um ano após um ataque cardíaco, a taxa de sobrevida das mulheres é maior do que a dos homens, segundo um estudo do Centro Médico da Universidade de Amsterdã, publicado no periódico científico Resuscitation. De acordo com a pesquisa, que incluiu 2.542 indivíduos dinamarqueses e 1.255 holandeses, com uma idade média de 53 anos, alguns fatores, como o uso de drogas para controle de sintomas de depressão/ansiedade e baixa renda reduziram ainda mais a sobrevida nos homens.
  • Drogas como Ozempic e Mounjaro reduzem risco de até 10 tipos de câncer associados com obesidade. O uso das drogas conhecidas como agonistas do GLP-1 (proteína similar ao glucagon-1), como a semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (do medicamento Mounjaro) em pacientes com diabetes tipo 2 versus aqueles que receberam somente insulina foi eficaz na redução de 10 de 13 tipos de cânceres associados com obesidade, mostra um estudo publicado na revista Jama Network na última sexta (5).

Informação

Folha de São Paulo

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