Com relações tensionadas, muitos canadenses lamentam sediar Copa com os EUA

Vestida com roupas com o tema do Canadá, usando um chapéu de cowboy vermelho e com uma folha de maple pintada no rosto, Catherine Paternal está pronta para torcer pela seleção canadense de futebol. Mas ela não está nem um pouco animada em co-sediar a primeira Copa do Mundo do Canadá junto com seu vizinho do sul.
O presidente dos EUA, Donald Trump, renovou nas últimas semanas ameaças de transformar o Canadá no 51º Estado dos EUA e afirmou que talvez não renove o acordo comercial trilateral entre EUA, Canadá e México — os co-anfitriões da Copa do Mundo deste ano.
“A Copa do Mundo tem como objetivo unir os países. Não acho que os EUA sejam um bom exemplo de união entre as pessoas neste momento”, disse Paternal, de 44 anos, moradora de Mississauga, cidade vizinha a Toronto.
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O presidente dos EUA também impôs tarifas sobre o aço, o alumínio e os automóveis vindos do Canadá, acusou Ottawa de se aproveitar dos EUA e, em muitas ocasiões, se referiu ao primeiro-ministro Mark Carney como “governador”. Há mais de um ano os canadenses vêm boicotando produtos norte-americanos e cancelando viagens para o sul da fronteira.
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A maioria dos canadenses com quem a Reuters conversou disse não estar disposta a deixar seus sentimentos de lado durante a Copa do Mundo.
“De jeito nenhum”, disse Linda Anson, de 68 anos, sem rodeios, em Toronto, quando questionada se iria viajar para assistir aos jogos nos Estados Unidos. Ela destacou as declarações de Trump sobre o Canadá como o principal motivo e disse que teria preferido que a Copa do Mundo fosse sediada exclusivamente no Canadá e no México.
“Somos uma nação soberana”, acrescentou seu marido, Bruce.
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O torcedor canadense Liam Delaney foi direto do trabalho para o Estádio de Toronto para ver sua seleção jogar contra a Bósnia e Herzegovina na estreia na Copa do Mundo na sexta-feira. Ele não mediu palavras em relação ao presidente dos EUA.
“Acho que ele está arruinando o mundo do futebol para os norte-americanos. Ele está nos fazendo parecer muito mal”, disse ele.
Uma pesquisa da Abacus Data divulgada este mês mostrou que 80% dos canadenses acham que os Estados Unidos estão no caminho errado. Outra pesquisa, da Nanos, revelou que 53% dos canadenses acreditam que boicotar produtos norte-americanos e evitar viagens aos Estados Unidos havia ajudado a fortalecer a posição do Canadá em relação aos Estados Unidos.
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Nem todos concordam com essa postura.
Mauricio Gonzalez, um mexicano-canadense, quer que todos deixem essas tensões de lado por um tempo.“Deixem isso de lado… aproveitem o futebol por um mês, e podemos retomar tudo o mais depois”, disse ele.
O Canadá tem trabalhado em estreita colaboração com seus co-anfitriões para tornar a Copa do Mundo um sucesso, e o envolvimento com os EUA e o México tem sido positivo, disse Bahoz Dara Aziz, porta-voz do secretário de Estado para o Esporte do Canadá.
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O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, disse que a Copa do Mundo exigiu uma coordenação estreita entre vários parceiros dos EUA e a FIFA, sem comentar especificamente sobre os países co-anfitriões.
O principal evento de futebol do mundo está sendo disputado em 16 cidades no Canadá, no México e nos Estados Unidos, depois que esses países foram nomeados co-anfitriões durante o primeiro mandato de Trump, em 2018. O Canadá joga sua segunda partida, contra o Catar, em Vancouver, nesta quinta-feira.
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