Economia

Como governo quer taxar big techs, o ‘herói’ do Linux e o que importa no mercado

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Como governo quer taxar big techs

O governo Lula (PT) abriu quatro frentes de investida para tentar tributar as big techs. A ideia é propor ao Congresso a taxação ainda neste ano.

Como o Planalto quer taxar big techs:

“Fair share”: o pagamento pelo uso de rede de telefonia.

  • Ele consiste em cobrar mais de empresas cujas plataformas usam mais a rede –como serviços de streaming e nuvem, por exemplo.
  • Empresas de telecomunicação são a favor e defendem o investimento em infraestrutura. Os críticos dizem que deixará o serviço mais caro.

Cobrança de imposto sobre a renda de big techs no âmbito das discussões da regulamentação da reforma tributária.

Uma espécie de “Cide” (um tipo de tributo) para o jornalismo.

  • O dinheiro seria destinado a um fundo que daria prioridade a fomentar jornalismo de grupos sub-representados e desertos de notícias.

Taxação de vídeo “on demand” (streaming, por exemplo).


Aceita like?

Uma atriz global pede para “pagar” a estadia de um fim de semana para ela e a família em um hotel de superluxo em São Paulo com publicações em suas redes sociais.

Ela acaba postando apenas um story de “look do dia”, sem referência às acomodações do hotel, e vira “persona non grata” no estabelecimento.

O caso, relatado pela repórter Daniele Madureira, é apenas um entre tantos que envolvem a negociação de serviços e mercadorias por postagens nas redes.

Tem influencer que casa ou compra os imóveis da casa nova apenas com esses acordos –que têm decepcionado as empresas em alguns casos por falta de engajamento e visibilidade.

O que explica: esse escambo de serviços por like acontece em um contexto em que a publicidade tradicional perde espaço e a geração Z usa as redes sociais como referência para decidir o que consumir.

↳ Em 2023, 50% dos consumidores brasileiros que fizeram compras online foram influenciados por propagandas veiculadas em redes sociais, em especial Instagram e Facebook, segundo pesquisa da NielsenIQ Ebit.

Em números:

  • US$ 91,6 milhões (R$ 456,6 milhões) foram movimentados no Brasil pelo mercado de influencers no ano passado, segundo a consultoria americana PQ Media.
  • 24% deve ser a alta neste ano, para US$ 113,5 milhões (R$ 566,2 milhões).
  • US$ 185 milhões (R$ 922,2 milhões) é a projeção de quanto esse mercado deve gerar até 2027.

O ‘herói’ do Linux

O engenheiro de software Andres Freund, um alemão de 38 anos que trabalha na Microsoft e mora em San Francisco (EUA), pode ter salvo a internet de grandes problemas na semana passada.

Entenda: ele encontrou uma brecha no sistema operacional Linux que poderia desencadear um ciberataque com enormes danos.

Por que importa: considerado o principal software de código aberto do mundo, o Linux é usado em universidades, grandes empresas e até em órgãos governamentais.

  • Caso o cibercrime evitado por Freund fosse adiante, poderia causar sérios problemas sem deixar rastro do seu autor.

O episódio tornou o engenheiro de software como um herói entre a comunidade de desenvolvedores,

  • “Acho isso muito estranho”, disse ao jornal britânico Financial Times. “Sou uma pessoa bastante reservada que apenas senta na frente do computador e mexe no código.”

Como Freund descobriu: enquanto fazia uma manutenção de rotina no começo deste ano, ele notou algumas mensagens de erro que não reconhecia.

Ele percebeu que um aplicativo chamado SSH, usado para fazer login em computadores remotamente, estava usando mais poder de processamento do que o normal.

Foi aí que notou que alguém alguém havia plantado um código malicioso, que permitiria ao seu criador sequestrar a conexão SSH de um usuário e secretamente executar seu próprio código na máquina desse usuário.

Quem plantou o código: ainda não se sabe, e Freund está contribuindo para encontrar o hacker.

O certo é que um usuário com pseudônimo “Jia Tan” planejou o crime há tempos. Ele foi ganhando a confiança da comunidade até se tornar um “mantenedor”, função que revisa e aprova mudanças.

A nova versão comprometida do código havia sido lançada, mas ainda não estava em uso generalizado.


Startup da Semana: Inner AI

O quadro traz às segundas o raio-x de uma startup que anunciou uma captação recentemente.

A startup: fundada no início do ano passado, reúne em uma só plataforma diversas ferramentas de IA (inteligência artificial) para a criação de conteúdo.

  • A empresa surgiu da experiência dos dois fundadores: Pedro Salles, com experiência em programação e desenvolvimento de software, e Eduardo Mitelman, que criou uma agência de conteúdo.

Em números: a startup anunciou ter recebido R$ 12 milhões em uma rodada pré-seed (que compreende uma fase bem inicial do negócio. Entenda aqui as etapas de aportes em startups).

Quem investiu: o fundo Canary liderou a rodada, que também teve participação de nomes como LASP Capital, Play9 (do youtuber Felipe Neto e do executivo João Pedro Paes Leme), Alexia Ventures, Crivo Ventures e Newtopia VC.

Que problema resolve: a proposta da Inner é ajudar os times criativos das empresas a navegarem no extenso universo de ferramentas de IA generativa –que ganhou força depois do lançamento ao público do ChatGPT.

  • Sua plataforma agrega os chatbots ChatGPT, Gemini (Google), Mistral (francesa “rival” da OpenAI) e as funções de LLaMA (motor de IA da Meta) e Stable Diffusion (ferramenta criadora de imagens).
  • Entre as soluções oferecidas, estão a integração e o acesso rápido a dados da empresa, criação de treinamentos e campanhas de marketing a partir das ferramentas de IA, que gerem imagens, legendam e dublam vídeos.
  • Voltada para empresas de grande porte, a startup já tem como clientes Claro, Embraer, Mercado Livre e Bayer.

Por que é destaque: criada no universo pós-febre da IA, a Inner é uma das startups que surfam a atual onda da ferramenta e que atraem bastante atenção dos investidores aqui e lá fora.

  • Também chama a atenção o valor para uma rodada pré-seed, quando a empresa ainda está em meio à validação de seu modelo de negócio –a plataforma só será lançada ao mercado agora.
  • A captação de R$ 12 milhões da Inner AI é a maior nesse patamar para uma brasileira desde a rodada da ECSA, uma startup de cripto, que levantou US$ 3 milhões (R$ 15 milhões) há mais de um ano, segundo a plataforma Sling Hub.

Folha de São Paulo

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